Últimas indefectivações

sábado, 21 de outubro de 2017

Mais esperança

"Rui Vitória fez bem em reiterar a confiança em Svilar. Não há margem para recuos, mesmo que a aposta possa ter mais facturas a pagar.

Benfica venceu num jogo insípido e desenxabido o Olhanense, passando à próxima eliminatória da Taça de Portugal. Quis o destino que se siga o V. Setúbal na Luz, que seja a caminho do Jamor. Ganhámos e saímos do Algarve com um nível de preocupação igual ao que tínhamos antes do início do jogo.
O jogo contra um Man. United muito forte mostrou um Benfica mais equilibrado, com uma variante táctica muito conseguida. Curiosamente, os ingleses não tiveram grandes oportunidades, acabando por marcar numa infelicidade de Svilar. Quem aposta num guardião de 18 anos sabe os riscos que corre, mas o talento do jovem belga parece ser muito, e aposta segura num futuro próximo. Faz bem Rui Vitória em reiterar a confiança na jovem promessa, agora não há margem para recuos, mesmo que a aposta ainda possa ter algumas facturas a pagar. Pro falar em jovens e em apostas, diga-se que Rúben Dias esteve a um nível soberbo no jogo da Liga dos Campeões, para mim o melhor em campo. O Benfica podia não ter perdido, mas perdeu.
O Sporting esteve a ganhar, jogou bem e perdeu em Turim. O FC Porto foi à Alemanha dar a primeira vitória da história europeia do RB Leipzig. No fundo, é este o duro panorama que temos no futebol de clubes em Portugal, quando se joga na Liga dos Campeões. Quem tem de vender os melhores, de forma sistemática, não se pode queixar de ver quem compra os melhores a vencer de formas sistemática.
Não gosto de vitórias morais, nem transformo insucesso evidentes em êxitos aparentes, mas saímos com mais esperança no futuro na derrota com o Manchester do que na vitória do Algarve. Futuro que passa pelo jogo de Domingo na Vila das Aves. O Desportivo das Aves é uma boa equipa, que irá fazer um campeonato tranquilo, esperam-nos muitos problemas nas Aves. Antes de jogar com o Benfica começa a ser moda haver chicotadas psicológicos. Que esta chicotada não tenha o resultado da última, porque perder três pontos com a equipa que foi eliminada pelo Vilaverdense não lembra a ninguém. Nesta fase, e com estas contas, perder mais pontos é dizer adeus ao 37, por isso não pode haver outra forma de olhar para o jogo de Domingo. É nas Aves, Domingo, a nossa final da Liga dos Campeões."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Juntos por Ti !

Alvorada... do Pragal

Absurdo

"Não percebo de linguagem jurídica, muito menos de direito, e corrijam-me se estiver enganado, a rejeição da providência cautelar acerca da divulgação de supostos e-mails do Benfica, nos termos em que foi anunciada, parece-me inequivocamente absurda.
Diz o juiz, quanto à eventual concorrência desleal, que, 'manifestamente, não é concebível uma transferência de adeptos ou sócios de um clube para o outro' e, como tal, não ficou provado que a situação constitua o 'instituto da concorrência desleal', o que pressupõe 'a existência de concorrência entre empresas na luta pela captação e fidelização da clientela por forma a expandir a sua actividade e ganhar e manter a quota de mercado'.
Ora, não é assim tão raro que alguém mude de clube, especialmente em tenra idade. Pressupor que a divulgação de supostos e-mails, com a aparente intuito de denegrir a imagem de um clube, não afectará a reputação desse clube e, eventualmente a preferência clubística das crianças, poderá ser um erro de avaliação.
Além disso, reduzir a concorrência entre clubes à disputa pelos afectos dos adeptos revela uma total incompreensão pelo fenómeno desportivo. Os clubes não só disputam adeptos como também fãs e curiosos. A distinção é importante, pois poderá haver quem, não sendo de um clube, se sinta tentado a ir a determinado estádio para ver um jogo de futebol. É o caso evidente dos muitos turistas que vemos na Luz, e ignorar que as acusações infundadas poderão chegar a esses potenciais consumidores é não ter em conta os ecos da infâmia do Porto Canal na comunicação social estrangeira.
E a captação de crianças talentosas para a prática do futebol? E jogadores profissionais? E os patrocinadores, os parceiros?"

João Tomaz, in O Benfica

Amanhã foi há dois dias

"São quase 19h45, hora de Champions. Escrevo esta crónica na terça-feira, 24 horas antes de o bicampeão europeu e vencedor por 36 vezes do campeonato nacional entrar em campo para defrontar o Manchester United. À hora que estiver a ler este texto já tudo foi dito sobre as opções de Rui Vitória e José Mourinho, os erros de arbitragem, os falhanços dos jogadores e as jogadas espectaculares que ditaram o triunfo da equipa portuguesa sobre a inglesa.
Atenção, isto não é bazófia. Isto é confiança em que alguma coisa tem que mudar neste Benfica para chegar ao grande objectivo do ano: ser Penta. E isso passa por esta vitória contra o Man United. São triunfos como este, são atitudes como a demonstrada em campo esta semana, que fazem a diferença. Ninguém mais do que este plantel quer ser bem sucedido. Sabem porquê? Porque a imensa maioria destes jogadores já foi ao Marquês em Maio. E alguns deles mais do que uma, duas e três vezes. E têm noção do que os espera se conseguirem fazer história.
Este não é um exercício de futurologia, é um pedido de um adepto que não é benfiquista de Maio. Joguem, ganhem, encantem como acredito que fizeram na quarta à noite naquela Catedral cheia de gente a puxar por vocês. Sou benfiquista de todos os dias, com seca ou enchente de títulos, quaisquer que sejam o presidente, o treinador, os jogadores, os administradores ou os comentadores. Foi uma bela jogatana na quarta, daquelas que nos vão embalar para os títulos."

Ricardo Santos, in O Benfica

Todos unidos!

"Alvo de um ataque sem precedentes, levado a cabo por dois clubes coligados com o único propósito de nos derrubar, e congeminado numa pouco secreta reunião em hotel lisboeta, o Benfica partiu para esta temporada a necessitar, mais do que nunca, do apoio incondicional de todos os seus sócios e adeptos.
Na desenfreada campanha para nos abater tem valido tudo. Os canais de televisão dos clubes rivais estão transformados num persistente tiro ao alvo contra nós. A mentira perdeu a vergonha. Até o disfarce - com identidades falsas a invadirem fóruns de opinião para lançar a especulação e a crítica mais contundente e destrutiva - faz parte da ementa.
Sabemos que unidos somos imbatíveis, não havendo, no país, força que nos vença. Mas ao deixarmo-nos desagregar e fragilizar, estaremos a seguir precisamente o caminho para o qual os adversários nos empurram. É o caminho da instabilidade, e consequentemente das derrotas, num ciclo vicioso onde é mais difícil sair do que entrar.
Os últimos resultados não têm ajudado, é verdade. Mas roça o absurdo vermos um clube Tetra-Campeão, ainda a viver um dos melhores anos desportivos, institucionais e financeiros da sua história centenária, ser objecto de tanta crítica e de tanta mistificação em seu redor.
Não nos deixemos iludir. Não façamos aquilo que eles querem. Unidos não nos derrubam. E unidos teremos de estar para ajudar a nossa equipa a dar a volta a esta sequência menos feliz.
Falta muito para o dia 13 de Maio. Só aí poderemos fazer contas e tirar conclusões. Agora é hora de união total e absoluta da família benfiquista rumo ao Penta.
Vamos a isso!"

Luís Fialho, in O Benfica

As palavras de Mourinho

"A forma como o treinador do Manchester United se referiu ao Sport Lisboa e Benfica são a prova provada da importância internacional que o nosso Clube atingiu. Apreciei muito as palavras do 'Special One', sobretudo a forma respeitosa como analisou a capacidade e o mérito da nossa equipa. Nos tempos que correm, sabe sempre bem ouvir as palavras de quem atingiu o estatuto que atingiu mercê da competência. José Mourinho, a par de Cristiano Ronaldo, é um dos nossos maiores embaixadores e quando ele fala devemos ouvi-lo com muita atenção.
Lembro-me bem quando, em 2015, ao serviço do Chelsea, no estágio da pré-época, alertou para o dinheiro que Sporting e FC Porto, estavam a gastar com algumas contradições. Mourinho, com toda a experiência internacional que tem, sabia do que estava a falar.
O Sporting CP está na situação que é conhecida, intervencionado pela banca e com um buraco sem fim.
E o FC Porto voltou a apresentar prejuízo - 58,4 milhões, há dois anos, e agora 35,3 milhões de euros. Nos últimos quatro exercícios, a SAD portista apresentou resultados negativos por três vezes e está intervencionado pela UEFA.
A nossa SAD, por seu turno, nos últimos quatro exercícios conseguiu atingir 'tetralucros': 14,2 M€, em 2013/14; 7,1 M€, em 2014/15; 20,4 M€, em 2015/16; e os históricos 44,5 M€, em 2016/17. Com a particularidade de ter sido sempre campeã nacional.
Chocam-me aqueles que dizem que não querem saber das contas, pois só os resultados desportivos interessam. Quem pensa assim, comete um erro crasso - sem contas sãs, não haverá vitórias em campo!"

Pedro Guerra, in O Benfica

Estrondoso silêncio

"Na segunda-feira passada, logo a abrir a semana, o Benfica deu resposta pública à surpreendente resolução de um Juiz de um tribunal junto do qual, uns meses antes, havia interposto uma providência cautelar que impedisse as constantes palhaçadas mediáticas com que representantes de um clube concorrente reiteradamente se têm empenhado em injuriar e ofender a honra e o prestígio do Sport Lisboa e Benfica e da Benfica Futebol SAD. Falando na BTV como representante dos gabinetes de advogados chamados pelo Glorioso para a sua defesa jurídica, perante a perversa campanha difamatória que só os desprovidos de senso não reconhecem como tal, o dr. João Correia não podia ter sido mais claro. Embora usando sempre a elegante semântica própria dos juristas, o nosso mandatário não deixou de sinalizar que o Juiz a quem coube a vergonha de, neste caso, defender o indefensável, literalmente se terá estampado ao comprido no seu barato arrazoado, o qual, obviamente, merecerá do Benfica o imediato, inevitável e competente recurso para outra sede de Justiça que esperamos se revele mais rigorosa.
Mas, acerca desta baderna injustamente criada por tontos e despeitados, infelizmente, as asneiras não nos chegam apenas por expressas decisões judiciárias retardadas e (quem sabe, se não?...) até toldadas por pontos de vista alheios à Justiça.
É que, ainda antes de ter accionado aquela providência na comarca apropriada, o Sport Lisboa e Benfica havia formalizado também, junto da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), uma enérgica reclamação relativa ao reiterado comportamento dos 'investigadores-juízes' pacotilha do clube de Contumil na cavernosa pantalha do seu canal de televisão: o Benfica queixava-se de ser o lavo de sucessivos casos de violação de direitos, liberdades e garantias, assim como de outras legais, a que aqueles complexados se têm dedicado com doentia insistência.
Com efeito, segundo a lei, à ERC, compete agir no ambiente da comunicação social e agir com inflexibilidade, em casos de estrondo, como o presente. A menos que, ao seu próprio presidente - também ele distinto aditado do grémio de Contumil - calhe melhor o estrondoso silêncio do que o inevitável reconhecimento de que os seus amigos se portam tão mal a bolçar disparates e ultrajes, como ele, caladíssimo, a ouvi-los."

José Nuno Martins, in O Benfica

Uma questão de prioridades no futebol: fita métrica vs. tomada de decisão

"Recentemente, fomos confrontados com uma posição pública por parte do ex-treinador da selecção escocesa de futebol, Gordon Strachan, relativa à identificação dos factores que poderão ter determinado o insucesso na qualificação para o Mundial de 2018 na Rússia. Na sua perspectiva, a selecção escocesa tem uma “desvantagem genética” pelo facto de apresentar “a segunda estatura média mais baixa da última fase de qualificação, para além da Espanha.” Acrescenta ainda que “esta desvantagem obriga a que a sua equipa tenha de combater e de saltar mais alto que todos os outros”. Neste sentido, Gordon Strachan priorizou a dimensão física no processo de selecção de jogadores: “Tivemos de seleccionar uma equipa que combatesse a altura e a força dos adversários”. Parece-lhe assim que para o futuro será importante conferir maior relevância à “componente genética, para assim juntar jogadores com estatura mais elevada”.
Do ponto de vista factual, se atendermos ao grupo de qualificação para o Mundial onde a Escócia esteve inserida verificamos que esta apresenta uma desvantagem em termos de estatura (1,80m) face a algumas das equipas do seu grupo como a Eslováquia (1,82m) ou Lituânia (1,84m). Contudo, parece-nos extremamente abusivo explicar o desempenho no futebol, ou em qualquer outra modalidade desportiva, de forma linear com base na dimensão física. De acordo com dados do International Center for Sport Studies (2017) as selecções europeias que apresentam uma média de estatura mais elevada são a Sérvia (1,86m), Bósnia (1,85m) e Islândia (1,85m). Por sua vez, Espanha (1,80m) e Portugal (1,81m) figuram, respectivamente, como a 4ª e 11ª equipa com média mais reduzida de toda a União Europeia. Como é óbvio, não existe qualquer relação entre a estatura dos futebolistas e o sucesso desportivo. Na verdade, o desempenho desportivo apresenta uma natureza multifatorial que se caracteriza por uma interacção complexa entre diferentes factores cuja incidência se vai alterando ao longo do tempo. Neste sentido, recorrer a uma relação causa-efeito para abordar o sucesso ou insucesso desportivo implicará sempre uma visão redutora e desvirtuada e, nessa medida, sem poder explicativo. Mesmo no caso de modalidades onde o contexto de desempenho é relativamente estacionário, como no Atletismo, é fundamental que o atleta na execução do salto em comprimento, regule permanente a sua trajectória face à aproximação da tábua de chamada mediante informação de natureza espácio-temporal. Esta regulação informacional com base no ajustamento entre o comportamento do atleta e as condições do ambiente fará certamente a diferença entre registar um salto nulo ou vencer uma medalha.
No caso de modalidades como o Futebol, onde o contexto de desempenho se altera praticamente em cada instante, esta dependência informacional assume ainda maior relevância. De que servirá ao jogador escocês ser mais alto ou saltar mais alto se o timing de execução do salto para cabecear uma bola, por exemplo, for desajustado face à trajectória e velocidade da mesma? De que servirá ao jogador escocês efectuar um passe com maior velocidade se este não for capaz de percepcionar as linhas de passe disponíveis num determinado instante (que se dissolvem momentos depois)? Esta dependência informacional face ao contexto performativo implica uma permanente actualização do estado de relação entre o atleta e o envolvimento mediante uma atitude de ordem táctica.
O que importa questionar é se o processo de treino de equipas de alto rendimento, como no caso da Selecção Escocesa, foi direccionado para a elevação do desempenho desportivo partindo de uma lógica multifatorial. Neste caso, a promoção da capacidade do futebolista percepcionar informação relevante e tomar decisões que o aproximem do sucesso será sempre mais determinante que uma eventual superioridade em termos de estatura. O futuro deverá assim implicar um redireccionamento de prioridades...da fita métrica para a tomada de decisão."

Check-in para o sonho

"Devido sobretudo à diferença de fuso horário entre Brasília e Lisboa, escrevo estas linhas a algumas horas do decisivo encontro Portugal – Suiça no Estádio da Luz, facto que me não impede de prever o anelado desfecho: Portugal vai carimbar o passaporte para o mundial de futebol que vai realizar-se no próximo ano na Rússia, uma Rússia que, sintomaticamente, parece querer reeditar o seu velho sonho imperial. Curioso é que o seu actual Presidente, mais dado às artes marciais que ao futebol, veja neste planetário evento uma privilegiada plataforma de projecção e afirmação desse sonho – como já acontecera em tempos com Mussolini ou com Franco.
Uma vez mais, o futebol, com a ígnea torrente de paixões que suscita, a prestar-se, na sua inelutável ambiguidade,à ínvia mediação de projecção de poder por parte de seus comensais políticos. Mas também por ser – e é, de facto, - o catalisador de encontro e reconciliação, como parece estar a acontecer com a linda história da selecção da Síria que, por pouco, não transitava directamente das lamacentas trincheiras de Alepo para o salão de festas da glória: é o geofutebol com todo o seu sortilégio!
Mas voltemos ao Portugal-Suíça de mais logo que vai colocar o nosso país no areópago dos sonhos. E vai porque Portugal merece. Mas, como, perguntar-se-á, se em futebol não há justiça – ganha quem marca? Sim, mas Portugal vai marcar porque é firme a sua crença num desfecho favorável, em sintonia com os pergaminhos lusos na história da competição, mas, mais que isso, em conformidade com a luminosa História deste pequeno-grande país no rectângulo mais ocidental da Europa e que tem no crédito de suas façanhas o ter sido o grande pioneiro da globalização. E, depois, convém lembrar, temos Fátima e Cristiano Ronaldo. Além de sermos os actuais campeões da Europa – e o respeitinho é uma coisa muito bonita!
Mas a Suíça também merece ir: sim, e vai. Mas terá que aguardar e dar, entretanto, passagem a seu vetusto rival, que a História é para ser respeitada. Que a Suíça tem também seus méritos é inquestionável, mas não ao ponto de prevalecerem sobre os de um povo que, entre a opção por uma vizinhamça de terra firme, ainda que problemática, e o alvoroço do incerto, preferiu a vizinhança do infinito – e só aí a sua alma encontrou alento para a sua sede de mundo. Ah, mas a Suíça, apesar de pequena em território, é grande na sua diversidade – ela se organiza em cantões. Sim, mas Portugal se agiganta na unitária diversidade de seus cantinhos.
Que a Suíça, não tendo mar, tem contudo belos lagos como o de Léman. Mas Portugal, além de mar a perder de vista, tem o Alqueva – e, claro, as lagoas de Sete Cidades e a lagoa do Fogo. Que a Suíça é também e a seu modo actor de globalização, ao tornar-se o cofre-refúgio do capital internacional, Sim, mas, muito e muito antes disso, Portugal expandiu e globalizou os valores do afecto e da fé. Que a Suíça marca o ritmo da pressa ocidental com seus relógios indefectíveis. Sim, mas, muito tempo antes, Portugal, através do insigne matemático, Pedro Nunes (1502-1578) inventou o nónio e, até o astrolábio moderno foi inventado em Lisboa por Abrão Zanuto, um judeu ao serviço de D. João II.
E, mais recentemente, foi em Portugal e por portugueses que se inventou esse meio expedito de se viajar sem demoras: a via verde. Mas a Suíça tem ainda a seu créditono facto, honroso e singular, de fornecer a guarda do Papa e da Santta Sé. Pois é, mas, a pedido ( as ordens reais careciam de homologação papal) do Rei D. Dinis, foi criada, pela bula pontifícia Ad ea ex quibus, de 13 de Março de 1319, a Ordem de Cristo (Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo) e que herdaria a história e os privilégios da Ordem do Templo. Sim, a História deste país, autorecolhido à sua faixa matricial, de uma exiguidade territorial que a infinitude pelágica não cessa de compensar, é, sem dúvida incomparável.
E embora um novo protagonismo tenha entretanto emergido do novo concerto das nações, nem por isso os vestígios de uma gesta heróica e única poderão ser apagados. Que seja sobretudo mítica e romântica a nossa grandeza, mas, mesmo assim, merecemos, por direito próprio estar no baile de gala do futebol mundial – e dançaremos afoitamente com qualquer parceiro! E a Suíça? O estádio da Luz, fazendo aliás jus ao seu nome, vai indicar-lhe o caminho luminoso – e o seu sonho de ombrear com os maiores se concretizará. Mas, tenha paciência, deixe passar Portugal: regras protocolares da História. Encontrar-nos-emos, quem sabe, algures na Rússia, uma Rússia embalada de novo no velho sonho czarista. E quem sabe se uma glória antiga mas imprevista não ressurge pela esfericidade rolante de uma bola. O fascínio está aí justamente: tudo é possível."

Um movimento Olímpico a caminho de lado nenhum

"José Manuel Leandro ex presidente da Federação Portuguesa de Vela, num texto publicado no Jornal A Bola (on line) (2017-05-11), refere que a Assembleia Plenária do Comité Olímpico de Portugal (COP), em Setembro de 2016, sob proposta da Comissão Executiva, aprovou um conjunto de alterações aos seus Estatutos. Ao tempo, diz o então presidente da Federação Portuguesa de Vela, a sua federação foi a única associada presente na referida Assembleia a apresentar “propostas concretas, formais e atempadas” no sentido de contribuir para a melhoria do documento. Todavia, foram todas, pronta e veementemente, recusadas pelo presidente do COP. Foi obra. E foi obra na medida em que o presidente do COP, ao cabo de quatro anos de mandato e depois do desastre que foi a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, perdeu uma excelente oportunidade para, ao contrários dos seus antecessores, através de uma ampla participação nacional, desencadear uma revisão dos estatutos da instituição de acordo com as novas realidades do desporto moderno iniciando a transformação de uma organização tradicionalmente constituída por gente que está convencida que tem “sangue azul”, numa organização, na sua vocação e missão, verdadeiramente partilhada pelos portugueses.
O problema é que perante esta incapacidade atávica de reajustar o MO aos novos tempos tem vindo, de há vários anos a esta parte, a colocar o Olimpismo, tanto a nível internacional quanto nos mais diversos países, numa profunda crise. Do comercialismo à corrupção, passando pelo flagelo do doping são diversos os sintomas que o actual presidente do Comité Olímpico Internacional (COI) pretende debelar com uma terapia de choque de quarenta medidas unanimemente aprovadas na 127ª Sessão do COI realizada no Mónaco em 8 e 9 de Dezembro de 2014. Com a receita (Agenda 2020), Thomas Bach, deseja estabelecer um “strategic roadmap” a fim de orientar o desenvolvimento futuro do MO internacional. Infelizmente, se o tal “mapa estratégico” está a conduzir o MO para algum lado é para lado nenhum. Porque, no que diz respeito aos princípios e aos valores que a instituição deve preservar e promover, a situação tem vindo a piorar significativamente como se pode verificar pelas acusações de corrupção que estão a atingir os dirigentes desportivos dos mais diversos países do Mundo, entre os quais o membro do COI acabado de ser afastado da presidência do Comité Olímpico Brasileiro, de seu nome Arthur Nuzman que, actualmente, ocupa a “pole position” da corrida olímpica corrupção.
Mas, então, porque é que a Agenda (2020) do COI não está a resolver nem vai resolver nenhum problema significativo dos que, a uma escala global, verdadeiramente, impedem o desenvolvimento do MO na senda do futuro?
A resposta é simples. Porque a generalidade dos dirigentes do MO, uma vez eleitos, esquecem-se dos mais fundamentais princípios de ordem democrática. E, entre as 40 medidas da Agenda 2020, algumas delas completamente inúteis, por estranho que possa parecer, nenhuma tem como objectivo promover a cultura democrática não só no seio do COI como no dos mais diversos CONs por esse mundo fora. Como se pode verificar no documento do COI intitulado “Olympic Agenda 2020 - 20+20 Recommendations” a palavra democracia não é sequer mencionada uma única vez. Todavia, estou em crer que o factor significante que pode tirar o MO do estado de profunda crise em que se encontra é, precisamente, a institucionalização de uma assumida vivência democrática interna e uma abertura externa à sociedade tanto do COI quanto dos CONs. Se para Albert Camus o suicídio era a única questão filosófica, no que diz respeito ao MO, é a democracia a única questão filosófica na medida em que o que está em causa é o suicídio do próprio olimpismo, não por culpa dos atletas, não por culpa dos técnicos, mas por culpa dos dirigentes que não estão a ser minimamente capazes de entender o Olimpismo como uma filosofia de vida que deve colocar o desporto ao serviço da humanidade.
Trata-se, assim, de saber se o MO, tanto a nível internacional quanto nacional, tem capacidade para se reformar a partir de dentro. Infelizmente, hoje, estou convencido que não. E, se, ainda tinha algumas esperanças de que isso fosso possível, a actuação do actual presidente do COP tratou de acabar com elas.
Hoje, estou convicto que o MO só será reformado através de uma intervenção externa na medida em que estamos perante um sistema autocrático com lideranças de características napoleónicas ao estilo “quero, posso e mando” que, à custa do dinheiro dos contribuintes, consciente ou inconscientemente, actuam no sentido de manterem o “status quo”. Ao fazê-lo, estão a conduzir o Olimpismo no caminho dos dinossauros.
Assim, teria sido de fundamental importância que a Agenda 2020 do COI tivesse previsto um programa, conducente à democratização interna do COI bem como à dos diversos CONs, capaz de instituir um conjunto de regras democráticas a serem respeitadas nos seus estatutos. Porque, não se pode admitir que presidentes dos CONs dirijam as organizações que não lideram mas chefiam ao estilo "magister dixit” e se mantenham agarrados ao poder dezenas de anos sem que nada aconteça e sem darem satisfações a ninguém. E fazem-no no mais completo desrespeito pela democracia que é um dos valores e princípios essenciais, universais e indivisíveis das Nações Unidas que está estreitamente ligada ao Estado de direito, ao exercício dos direitos humanos, e ao pleno usufruto das liberdades fundamentais. O COI não se pode sujeitar a ser criticado como aconteceu em 2009 durante a 121ª Sessão quando, perante a vitória do Rio de Janeiro sobre a cidade de Chicago, Barack Obama, presidente do EUA, afirmou que “…as decisões do COI são similares às da FIFA: um pouco manipuladas" porque, segundo ele, considerando "… todos os critérios objectivos, a candidatura americana era a melhor". O COI tem de ser uma organização acima de qualquer suspeita. Infelizmente, o que se está a verificar é que o COI não é uma organização acima de qualquer suspeita. Para que o COI comece a ser uma organização acima de qualquer suspeita é não só necessário como urgente uma revisão séria da Carta Olímpica no sentido que a democratizar. Do mesmo modo, os CONs, pelo sistema democrático a que devem ser sujeitos, têm de funcionar acima de qualquer suspeita. Porque não se pode aceitar que muitos CONs funcionem em “roda livre”, à custa do dinheiro dos contribuintes, através de processos de gestão autocráticos bem como de sistemas eleitorais absolutamente kafekianos a fim de que as oligarquias, que se protegem umas às outras, continuem, anos a fio, instaladas no poder. Ora, teria sido fundamental que a Agenda 2020 tivesse cuidado de instituir um programa de democratização dos estatutos dos CONs.
A revisão dos estatutos do COP, ao longo dos seus mais de cem anos de vida, por incapacidade ou falta de interesse dos seus dirigentes, tem sido orientada mais por objectivos de ordem de interesses de conjuntura do que, propriamente, por uma visão estratégica para o MO nacional que, necessariamente, teria de passar por uma participação alargada à sociedade portuguesa, envolvendo as várias entidades da vida nacional, quer directa, quer indirectamente, interessadas no processo de desenvolvimento do desporto do qual o MO faz parte. Pelo contrário, os estatutos, num total de 46 artigos, alguns deles de grande complexidade, foram aprovados sem participação, sem discussão e numa Assembleia Plenária que durou cerca de duas horas. Em consequência a imagem que passou foi a de uma espécie de “missa cantada” uma vez que a dita Assembleia foi presidida pelo presidente do COP que, simultaneamente, presidia à Comissão Executiva e, em consequência, também tinha sido o principal responsável pela proposta em aprovação. Em resultado desta visão minimalista da prática democrática, que, infelizmente, cada vez mais, está a prejudicar a cultura democrática que devia presidir à vida desportiva do País, aquilo que mudou, sem fundamentação, sem lógica e sem sentido, só vai fazer com que tudo continue na mesma. É uma opção estratégica do tipo “mais do mesmo” com a qual estou profundamente em desacordo. O MO em Portugal merece mais, muito mais.
Assim, só por ingenuidade José Leandro podia pensar que as propostas por si apresentadas que, entre outras, vamos analisar nos próximos textos, podiam ter alguma viabilidade de serem consideradas e discutidas desde logo porque, perante três resultados absolutamente miseráveis nas últimas três edições dos Jogos Olímpicos, os presidentes das Federações Desportivas, encontram-se tomados pela mais confrangedora ausência de espírito crítico e os que não se encontram não estão para se incomodarem. Entretanto, o MO nacional, apesar de toda a cosmética de marketing sustentada em milhares de selfies, encontra-se numa profunda crise que vai, novamente, explodir em Tóquio no ano de 2020. Quer dizer, estamos, de há mais de doze anos a esta parte, a assistir a sucessivos Programas de Preparação Olímpica que estão a conduzir o desporto nacional para lado nenhum."

Conhece a real importância do Meo Rip Curl Pro Portugal?

" “Foi um dos melhores dias de surf de competição que alguma vez vi!”

Que grande ‘statement’ de Mick Fanning que fielmente sintetiza a primeira edição (2009) do agora designado MEO Rip Curl Pro Portugal, a etapa em território nacional do circuito mundial de surf da World Surf League. Em 2017, os melhores do mundo estão de volta, a partir de hoje, aos Supertubos de Peniche para a 9ª edição desta competição, onde o grupo de surfistas inclui o expoente máximo do surf Português da actualidade, Frederico Morais, e ainda o campeão nacional da Liga MEO Surf 2017, Vasco Ribeiro, que compete a título de convidado.
Passados estes anos todos, é notável a posição que diariamente o surf tem vindo a conquistar na vida socioeconómica de Portugal. E o sucesso deste evento em 2009 foi determinante! Primeiro, o surf passou a entrar no léxico diário da sociedade em geral, alargando da natural atenção dos praticantes e individuais conexos para uma mancha de investidores, políticos e consumidores da modalidade onde a preponderância dos simpatizantes, colectivos e demais stakeholders assumiu-se significativamente. Por seu turno, a notoriedade de Portugal no mundo descolou partindo do trabalho de Tiago Pires, maior embaixador das nossas ondas da altura, para, de forma exponencial, se constituir como um destino de excelência em solo europeu do domínio do turismo dos desportos de ondas. Mais tarde, as ondas da Nazaré surgem estrondosa e adicionalmente para completar a oferta local. Entenda-se que, desde 2009, os ventos económicos em Portugal e na Europa são conhecidos e pouco favoráveis mas, ainda assim, a indústria dos serviços de surf, por exemplo, ganhou solidez, atraiu investimento estrangeiro e criou riqueza. Até se pode ir um pouco mais longe, inferindo que estes tempos de crise fomentaram a procura de novas oportunidades, onde os nossos recursos naturais, clima e até o património histórico no mar foram, conjuntamente, a resposta.
Hoje podemos dizer que o percurso de Tiago Pires não se ficou por um acaso já que Frederico Morais deu brilhantemente um passo em frente. Podemos também, enquanto surfistas, orgulhar-nos de ver a nossa actividade como porta-estandarte de Portugal no mundo. Mais ainda, observamos com admiração quando o surf adquire estatuto de efeito-âncora no estabelecimento de projectos cruciais para o desenvolvimento do país como é o caso, no plano de educação de primeira linha de qualidade, da Nova Business School of Economics que abrirá em 2018 junto à Praia de Carcavelos, em Cascais. 
Chegamos assim ao dia de hoje e mais uma página pode ser positivamente virada no sucesso de Portugal no mundo. Para aqueles que não têm acompanhado mais de perto, atenda-se que os Supertubos vão estar simplesmente de gala nos próximos dias fazendo com que o orgulho português em bem receber seja uma realidade que vai ser falada em todos os cantos do mundo. Mais propriamente, 50 milhões de pessoas serão confrontadas com o expoente máximo da qualidade em português. Podemos esperar por nova transformação nos próximos anos? Talvez! Mas primeiro temos encontro marcado em Peniche para bater palmas aos representantes das cinco quinas: Frederico Morais e Vasco Ribeiro. Vai Kikas! Vai Vasco!"

Luís Bernardo: "O Benfica não estava preparado para lidar com o crime organizado"

"Director de comunicação dos encarnados "aliviado" com o andamento do processo dos e-mails. Luís Bernardo sublinha que o caso não está a condicionar os jogadores do Benfica, mas "está a prejudicar os árbitros que vão condicionados para os jogos".

O director de comunicação do Benfica garante, em Bola Branca, que o caso dos e-mails não tem afectado o rendimento dos jogadores da equipa principal de futebol do clube.
O que na opinião de Luís Bernardo tem prejudicado os encarnados é o facto dos árbitros estarem a entrar condicionados nos jogos do Benfica, devido às acusações de corrupção que lhe estão a ser feitas pelo FC Porto.
No dia seguinte às buscas realizadas pelo Ministério Público e Polícia Judiciária ao Estádio da Luz e às casas do presidente Luís Filipe Vieira e do responsável da área jurídica, Paulo Gonçalves, o director de comunicação do Benfica observa que o clube não estava preparado para lidar com o crime organizado, considerando que o tema é dominado pelo FC Porto há já muitos anos.
Luís Bernardo mostra estranheza por não se conhecerem desenvolvimentos de processos relacionados com ameaças protagonizadas por dirigentes e adeptos do FC Porto a árbitros de futebol.
"O Benfica não estava preparado para lidar com o crime organizado. Quem nos acusa tem um passado ligado a processos, como a acusação do director-geral do FC Porto, Luís Gonçalves ao árbitro Hugo Miguel, a quem disse que a sua carreira ia ser curta e inclusivamente desceu de divisão. Ou a ameaça do presidente do FC Porto ao árbitro Rui Costa, a quem disse que lhe ia tratar da saúde. As ameaças no centro de treino dos árbitros. Custa-nos a entender como nada se sabe destes processos. E a investigação que decorre, que visa verificar de que forma foi violada a correspondência informática interna do Benfica, e como o FC Porto teve acesso a essa informação. Nada se sabe e, ainda ontem [quinta-feira], o Dr. João Correia [advogado do Benfica] pediu celeridade nessa investigação. Não escondo que é um domínio novo para o Benfica, ao contrário do que acontece noutro clube. Estamos certos que, se a justiça for célere, este assunto será rapidamente esclarecido", referiu em entrevista exclusiva.

Arbitragem condicionada
Luís Bernardo considera que o processo dos e-mails e as acusações de corrupção que o FC Porto faz ao Benfica não estão a afectar o rendimento dos jogadores. Já os árbitros, estão a entrar condicionado nos jogos dos encarnados e por isso estão a prejudicar a equipa orientada por Rui Vitória.
"O que se verifica é que há um ambiente de condicionamento e pressão sobre as equipas de arbitragem. Esse foi um dos principais objectivos desta campanha. Em relação ao rendimento da equipa do Benfica, temos um grupo muito profissional e organizado. Uma equipa que tem conseguido grandes resultados, que ganhou 12 dos últimos 16 títulos. Há sim, uma pressão acrescida no julgamento dos árbitros no momento do jogo", considerou.
Contactado por Bola Branca, o director de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, preferiu para já, não prestar declarações sobre o caso dos e-mails."

E Rúben, joga já domingo?

"Um olhar sobre a exibição do central frente ao Man Utd

Se a melhor faceta da exibição do Benfica frente ao Man Utd foi a organização defensiva, dela sobressai um nome: Rúben Dias. Em noite de estreia na Liga dos Campeões, o central mostrou que, embora tenha apenas 20 anos, é por estes dias a opção mais sólida para o eixo defensivo.
Há um mês já ficava a ideia que Rúben Dias era o central mais sólido a construir jogo, mas agora isso já parece curto na comparação com os colegas de sector. Aliás, mantendo a segurança na construção, o defesa amadorense tem impressionado sobretudo pela assertividade nos comportamentos sem bola. 
Uma análise detalhada ao encontro desta quarta-feira permite aferir isto mesmo: noventa minutos de uma combinação quase perfeita entre concentração, sentido posicional e leitura de jogo.
Tudo se resume numa palavra: postura. Rúben Dias não se limitou a estar sempre no sítio certo, esteve sempre preparado para o passe seguinte do adversário. E isso vê-se no detalhe, na forma como a posição do corpo (e dos pés, especialmente) antecipam a acção seguinte.
Perante esta exibição, a juntar a outras que já tinha feito antes, Rúben Dias merece jogar também já no domingo.

P.S. faz sentido que Mile Svilar mantenha a titularidade, neste caso já prometida por Rui Vitória. Os erros não têm idade, e o bilhete de idade não pode ser critério para a escolha. É sensato continuar a olhar para o belga como a melhor opção para a baliza, já não terá sido tão prudente anunciá-lo quatro dias antes, quando a mesma defesa não foi aplicada a Bruno Varela. A opção pode ser diferente, o discurso é que não."

Aposta transitória

"Que significado teve a titularidade de Svilar, em detrimento de Júlio César?
Rui Vitória tinha, de facto, duas opções: a conservadora, que era apostar na experiência do guarda-redes brasileiro; e a atrevida, que era dar a baliza ao jovem belga. Com a diferença substancial do senso comum que envolvia a primeira escolha. Depois do golpe que afastou Varela, a escolha do miúdo afasta Júlio César das contas. Mesmo com o grave erro no golo do United, a aposta em Svilar deixou de ser transitória. Se não for ele o guarda-redes do Benfica para o que falta da época, a confusão pode instalar-se.

O que quis Rui Vitória transmitir com a titularidade de Diogo Gonçalves?
O jovem extremo foi o rosto de decisões radicais do treinador. Para a esquerda do ataque tinha Cervi, Zivkovic e deixou Rafa de fora por opção. A escolha recaiu sobre um habitual suplente. Serviu para dar confiança a quem joga menos e terá funcionado como sinal indiscutível de insatisfação relativamente a algumas opções consideradas prioritárias.

Porque entrou o Benfica em 4x3x3 e não em 4x4x2, como sempre?
Face ao grau de dificuldade do jogo, com uma das melhores equipas da Europa, a dúvida fazia sentido: manter o sistema de sempre, com dois avançados (sendo que um deles seria Jonas), ou apostar em três médios para equilibrar a batalha do miolo. Vitória preferiu a segunda hipótese, que lhe deu mais consistência em zona nevrálgica do jogo."

Jovens talentos

"Svilar tem pinta de craque. A forma como se posiciona entre os postes, como sai ao avançado, como faz a mancha. Todos os gestos são de craque. Mas deu um frango. Uma má decisão levou-o a entrar pela baliza com a bola nas mãos, quando poderia ter socado de forma simples. Um frango, no único golo do jogo.
Agora vamos ver se a aposta de Rui Vitória será consistente e irá para além do próximo jogo e do próximo erro.. Se, depois de queimar um excelente jovem guarda-redes português, irá fazer o mesmo a um ainda mais jovem guardião belga de origem sérvia.
Os casos não são semelhantes. Svilar tem 18 anos pintados de fresco. Um regresso à penumbra dos treinos/jogos no Seixal não seria razão para danificar a confiança do jovem nas suas imensas capacidades. Qualquer decisão de Rui Vitória será aceitável desde que trabalhada de forma a que o miúdo mantenha intacta a sua autoconfiança, e vá corrigindo eventuais erros, que essa extrema confiança no seu potencial o leva a cometer. Se Svilar se mantiver como titular, os benfiquistas têm de se habituar a andar com o credo na boca, enquanto testemunham o crescimento de um sobredotado. Um jogador aos 18 anos, principalmente guarda-redes, é como um bebé a dar os primeiros passos. Tem de cair em erros graves, voltar a levantar-se e seguir até ao próximo frango. 
Também fraca foi a estreia de José Sá, nos maiores palcos europeus. A grande promessa das balizas do FC Porto também tem de crescer a jogar, mas está num patamar mais aproximado de Varela do que de Svilar. Se Sérgio Conceição não lhe começa a dar minutos e confiança, José Sá nunca chegará a dono da baliza do Dragão, sendo hoje o principal candidato ao lugar de Casillas. Um caso a seguir nos próximos tempos.
Em Portugal, a última aposta corajosa num jovem guarda-redes, para titular da baliza de um grande, foi de Paulo Bento em Rui Patrício. Os primeiros jogos foram difíceis, mas os resultados estão à vista.
Saiamos da baliza, mantendo porém o foco nas esperanças que despontam pelas maiores equipas portuguesas (com as derrotas presentes, o melhor mesmo é olhar para o futuro, acreditando na possibilidade de encurtar a distância que nos separa do pelotão da frente): o Benfica estreou na Liga dos Campeões, e a jogar de início, Rúben Dias, que provou qualidade para jogar no topo competitivo. E, também, Diogo Gonçalves, outro potencial grande craque.
Este Diogo gosta de ter a bola, de evoluir com dinâmica, bom drible, bom passe, boa visão de jogo. Outro caso que será necessário acompanhar com carinho, embora o crescimento de alas e avançados requeira menos riscos do que a aposta em jovens guarda-redes."

Nadal vs. Federer

"Nadal este ano, sem lesões, tornou-se o tenista n.º1 do ranking ATP: conquistou 6 títulos, entre eles, Roland Garros e o US Open. Antes de defrontar Federer em Xangai vinha de 16 vitórias consecutivas, mas eis, que lhe apareceu, de novo, Federer pela frente e estragou-lhe a festa.
Vencer consecutivamente e manter-se ao mais alto nível cansa. É desgastante tantas semanas no topo com adrenalina muito elevada, assim como, a concentração.
Todavia perder cansa mais e é frustrante. Nadal depois de perder por dois sets com Federer continua em primeiro no ranking.
O seu calcanhar de Aquiles deste ano é Federer. Em Roland Garros superfície de terra batida onde é rei, com Federer ausente, venceu naturalmente. No US Open fê-lo de igual modo, porque Del Potro intrometeu-se no caminho de Federer e evitou uma nova final entre Federer e Nadal. Em Winbledon Federer venceu e Nadal ficou cedo pelo caminho.
Este ano, a rivalidade manteve-se com as ausências de Andy Murray e Novak Djokovic. Contudo essa rivalidade não obsta a que sejam bons amigos e respeitosos um com o outro.
Recentemente, jogaram juntos em pares e acabaram por vencer a Laver Cup.
Federer venceu em Xangai, encadeou 5 vitórias consecutivas frente a Nadal. Todavia o deve e haver entre eles é favorável a Nadal 23 - 15. O estado físico de Nadal evidenciou algumas debilidades não podendo explanar o seu jogo, foi presa fácil para Federer. Depois, da sua vitória em Xangai, alcançou 27 Masters 1.000. Está a três de Novak Djokovic e Rafael Nadal.
A diferença de pontos entre Federer e Nadal cifra-se em 1.960. Falta o torneiro de Basileia e Paris-Bercy, antes do Masters em Londres. Não sei se Federer vai chegar a n.º1, não só porque com a idade doseia o seu esforço e participa intermitentemente em torneios, mas também porque a distância pontual é considerável. Nadal não irá a Basileia para descansar dos problemas no joelho.
Federer já está apurado para o Masters em Novembro e para o seu palmarés só falta vencer este torneio. Vai preparar-se convenientemente para terminar a época em grande.
Até ao final da época, nem Federer nem Nadal defendem pontos. Se Federer vencer Basileia diminui a diferença em 500 pontos, restando o Masters 1000 Paris- Bercy e o Masters de Londres em que está em jogo 2.500 pontos para os vencedores.
É incrível esta rivalidade tendo em conta que Rafael Nadal, 31 anos e Roger Federer, 36 anos. Nadal joga mais em força e Federer em soupless. Dois jogadores que resistem ao passar dos anos e que se adaptam às exigências do jogo.
Seria interessante reeditar esta sã rivalidade em Londres e que estivesse em jogo, o lugar de n.º1 do ATP em 2017.
Só tenho pena que neste Masters em Londres não possa estar presente Del Potro, um jogador dizimado por lesões mas que é um top mundial do ténis."

Benfiquismo (DCXXXII)

Capitão...

Aquecimento... Até que enfim!