Últimas indefectivações

domingo, 25 de setembro de 2016

Sonho e ambição

"Benfica tem em Outubro e inicio de Novembro uma sequência de jogos que importa ultrapassar. Vencendo. Tendo ambição.

1. É um fim de semana futebolístico bem singular. Sporting e Porto jogaram na sexta e, ontem, o Benfica regressou a Chaves, onde conseguiu esforçada vitória. Agora, e graças às nossas múltiplas e novas auto-estradas, de Lisboa a Chaves é, de verdade, um salto médio. Serão poucos mais de quatro horas. Recordo bem o meio dia que levei em Dezembro de 1998 para ir ver o Benfica ganhar ao Chaves por quatro bolas a zero, com três golos do Nuno Gomes e o outro do Tahar. O capitão era o João Pinto, o treinador Souness e o árbitro José Leirós. E este fim de semana singular leva-nos, de empurrão, à segunda jornada da Liga dos Campeões e à difícil visita do Benfica a Nápoles. Porventura sem a generalidade dos seus reforços de Outubro como sugestivamente referiu Rui Vitória ao abordar, sem dramatismos e com total sinceridade, o conjunto de jogadores lesionados do Benfica. Durante todo o mês de Outubro - que terá outra pausa para jogos das selecções nacionais e para jogos particulares de clubes, como aquele que o Benfica disputará a 8 de Outubro frente ao Santos na despedida do Léo! - o Benfica realizará cinco jogos, entre eles um jogo, da terceira eliminatória, da Taça de Portugal. E logo arranca Novembro, com o jogo, na Luz, frente ao Dìnamo de Kiev. E é esta sequência que importa ultrapassar, vencendo. Lutando. Tendo ambição. Na certeza que em cada jogo tomamos ar. Já que cada jogo é uma final. Bem importante para as contas das duas Ligas em que competimos e para as contas da sociedade desportiva que apresentamos. E como bem percebemos ao ver as contas da SAD no Benfica da última época desportiva há resultados significativos: tri campeão e tri lucro. Ou seja terceiro ano consecutivo de resultados positivos, tanto nos relvados como nas contas. E com a participação na última Liga dos Campeões a dar um forte alento financeiro! Que alento!

2. Ontem e hoje vive-se, em todo o Portugal, a segunda eliminatória da Taça de Portugal. Já estão em prova os clubes da segunda Liga. E cada um dos 92 clubes em prova sabe que receberá três mil euros e sonha, com total legitimidade, com o possível sorteio da terceira eliminatória e com o encontro com um dos grandes do nosso futebol. Tendo, então, acrescidas possibilidades de somar aos quatro mil euros que então arrecadará um valor bem mais elevado com uma possível transmissão televisiva. Mas hoje temos o futebol de todos em todo o Portugal. A equipa de Rabo de Peixe - uma freguesia linda e com orgulho da Ilha de São Miguel - defronta o Gil Vicente. O jogo realiza-se na Ribeira Grande e será, de verdade, um encontro histórico. Em Leiria o União recebe o Portimonense e Vítor Oliveira reencontra um clube, que não o Estádio, que liderou durante duas épocas. E em Sacavém o histórico Sacavanense acolhe um Olhanense que parece esquecer, no presente, parte relevante da sua história, dos seus compromissos e, também, da sua identidade. Em Sintra há um confronto local. O 1.º de Dezembro joga contra o Lourel. É um encontro de amigos. Na zona oriental de Lisboa o Loures confronta-se com o Oriental. É um encontro de vizinhos. Na Figueira da Foz, a Naval, também em total crise, recebe o Fafe. E o que mais me impressionou foi ler declarações do capitão da Naval, Sérgio Grilo: «Aqui na Figueira estarão mais adeptos do Fafe do que nossos. Já era bom ver um ou dois cachecóis verdes na bancada. Era sinal que não estávamos sozinhos». Um clube é um espaço de identidade. Com a sua história e com a comunidade a que pertence-

3. E é também esta identidade que marca os dez anos do Caixa Futebol Campus. Os dez anos da Academia do Seixal. Onde importa não esquecer o contributo, relevante, do respectivo Município. A Academia é um espaço também ele singular. Pelas infra-estruturas construídas e desenvolvidas. Pelos êxitos conquistados. Cinquenta e um títulos nacionais e distritais. Pela repercussão financeira. Gerou em vendas já cerca de 100 milhões de euros e custou em dez anos cinquenta milhões. Pela consagração do conceito de quadro de honra e em que a distinção aos atletas implica necessariamente a componente desportiva mas envolve também a escolar e a comportamental. E, aqui, acredito que a Academia do Seixal pode alargar as ferramentas ao conjunto dos jogadores que acolhe diariamente ao proporcionar novos conteúdos relacionados com esta nova e ampla sociedade de informação que nos domina e condiciona. Ferramentas complementares àqueles que o sistema formal de educação está, nos seus conteúdos, a concretizar. Na certeza como nos ensina John Dewey que «a educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é preparação para a vida, é a própria vida»!

4. Duas notas complementares. No futsal lutamos, na próxima madrugada, na Colômbia, pelo acesso às meias-finais do Mundial. Com a ambição, bem legitima, de alcançarmos a final! Defrontamos o Azerbeijão que apenas tem seis brasileiros na respectiva selecção. Porventura percebemos a razão da eliminação do Brasil pelo Irão! E marca presença neste Mundial o árbitro português Eduardo Coelho, o que importa aqui realçar. A segunda para sublinhar a presença do futebol feminino no play off de acesso ao Europeu. O confronto será com a Roménia e vale a pena sonhar. Sonho e ambição, também no futsal e no futebol feminino. Como aconteceu, concretizado, a 10 de Julho em Paris!
(...)"

Fernando Seara, in A Bola

PS: Aconselho a entrevista do Domingos Soares de Oliveira à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, fica aqui o Link.

12 meses de TAD (parte I)

"No dia 1 de Outubro de 2015 entrou em funcionamento do Tribunal Arbitral do Desporto.
(Praticamente) um ano volvido, cumpre deixar algumas notas relativas à informação disponíveis no site do site do Tribunal acerca da respectiva produção jurídica, na vertente das decisões arbitrais produzidas pelos árbitros:
- Foram proferidos 9 Acórdãos, dos quais 7 se encontram disponíveis para consulta (as partes podem opor-se à publicação das decisões, sem necessidade de fundamentar tal oposição);
- Tais Acórdãos referem-se a pedidos de arbitragem necessária, donde resulta que a arbitragem voluntária ainda não ganhou, tanto quanto se sabe, espaço no TAD;
- Verifica-se que os litígios são essencialmente relacionados com futebol (em 9 casos, apenas um não diz respeito a esta modalidade);
- A maioria dos processo opõem atletas, SAD's e Clubes, às respectivas federações;
-Tratam-se, essencialmente, e como era previsto, de recursos de decisões disciplinares que caem sob jurisdição deste Tribunal;
- Foram proferidas fundamentalmente decisões de mérito, isto é, que abordem e julgam o fundo de causa e não se limitam a resolver a acção por recurso a questões formais;
- Constata-se ainda que as partes não têm divergido quanto à indicação dos árbitros e nem colocado em causa a composição dos colégios arbitrais."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

A noite em que o Benfica fez lembrar os tempos do Souness

"Os autores de Um Azar do Kralj entraram numa máquina do tempo e recuaram aos anos que nenhum benfiquista quer relembrar: os de Scott Minto e os de Michael Thomas

EDERSON
Protagonizou uma das maiores desilusões da noite ao surgir no onze titular, logo hoje que Guardiola viera à socapa do aeródromo de Bragança para observar Júlio César. Teve a seu favor a participação pouco activa numa das piores exibições do Benfica esta época. Acompanhou com segurança a trajectória da bola aos 41 minutos, em dois remates ao poste, o melhor dos inanimados em campo. 

SEMEDO
A poesia portuguesa não tem perdido muito tempo com o drama da actividade laboral. É na boa, porque para descrever a exibição de Nélson Semedo em Chaves basta-nos “o poema dum funcionário cansado”, de António Ramos Rosa. Os versos dão-nos a conhecer um sujeito saído de uma repartição de finanças, perdido no aparente crepúsculo da sua existência, vencido pelo mantra mais depressivo de sempre: “débito e crédito”, “débito e crédito”, ou, no caso de Semedo, “defender e atacar”, “defender e atacar”. Demonstrou o estado anímico de quem pergunta “porque não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?” e a qualidade futebolística de alguém “cansado dum dia exemplar” que, para nossa angústia, a presente época teima em nos negar.

LINDELOF (OU PAULO MADEIRA)
Uma primeira parte em que pareceu estar a recuperar de um almoço bem regado, vá, totalmente submergido, numas garrafinhas de Muralhas. Surge na segunda parte já com um guronsan no bucho e a coisa corre um pouco melhor, tendo até cometido a proeza de, em alguns momentos do jogo, penetrar o meio-campo adversário com maior clarividência do que os colegas pagos para a realização dessa mesma tarefa.

LISANDRO (OU RONALDO)
Exibição salva pelos regulamentos aos 18 minutos, num fora-de-jogo que benfiquistas menos dados à objectividade descreverão como “não digas disparates, o Lisandro subiu para colocar o gajo em posição irregular”. Foi, ainda assim, sintomático do estado de sítio em que o meio-campo e o ataque flavienses conseguiram colocar os jogadores mais recuados do Benfica, em especial nos primeiros 45 minutos. Acertou o passo na segunda parte e foi um dos onze melhores em campo nos últimos 15 minutos.

GRIMALDO (OU SCOTT MINTO)
Os seus anos na cantera revelaram-se hoje cruciais, tendo sido o único jogador do Benfica em campo que não terá confundido a camisola do Chaves com a do Barcelona. Foi frequentemente prejudicado pela presença de alguns colegas em campo, nomeadamente Pizzi, mas fez os possíveis por ignorar a situação de inferioridade numérica e terminou em grande, com uma assistência para o primeiro golo e um livre mal marcado para o segundo.

FEJSA
Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na Luz e #sejaondefor. Os leitores mais atentos saberão que já aqui se citou Sophia de Mello Breyner para descrever o profundo afecto que sentimos por Fejsa. Por isso, e não obstante ser o segundo jogo consecutivo abaixo daquilo a que nos habituou, também não vamos desatar a dizer mal do homem. Relembre-se apenas que, na última visita do Benfica a Chaves para o campeonato, há 18 anos, o titular nesta mesma posição foi Michael Thomas. 

ANDRÉ HORTA
Todos sabemos que os benfiquistas são uma grande família, mas a verdade é que não vimos André Horta abraçar nenhum familiar no final do jogo, o que talvez explique a sua pior exibição esta época. Felizmente, a solução é simples. Ao cuidado da SAD do Benfica: comprem uma Sharan, uma Ford Transit, eh pá, não sei, o que vocês acharem melhor, desde que enfiem lá os pais, os tios, os primos, a avó, o caniche e quem mais couber. O miúdo irá certamente retribuir com um regresso às boas exibições e 14 milhões de abraços e beijinhos.

SALVIO
uns tempos, após algumas semanas a tentar disfarçar desânimo, o meu chefe veio ter comigo e perguntou-me se estava tudo bem. Eu expliquei que não andava contente com as minhas funções, que tinha alguma dificuldade em perceber que lugar ocupava na empresa. O meu chefe foi cinco estrelas: disse-me para tirar os dias de férias que precisasse e que pusesse as ideias em ordem, porque a empresa precisava muito de mim. Ora bem. Esqueçamos o facto de ter sido despedido entretanto. Eu não sei se é assim que estas coisas se passam no plantel no Sport Lisboa e Benfica, mas seria interessante Rui Vitória ter uma conversa honesta com Salvio no sentido de garantir que o nosso argentino favorito passe a entregar a braçadeira de capitão a Fejsa antes do início do jogo.

PIZZI
Tremeu que nem varas verdes perante Rakitic, Mascherano e companhia. Uma primeira parte sofrível de um jogador amado e odiado cujos passes falhados são automaticamente multiplicados por dez, o que perfez quatrocentos e trinta sete, isto na primeira parte. As jornadas anteriores pareceram indicar um princípio de acordo com Grimaldo para a execução de inúmeros ataques mortíferos com o espanhol encostado à linha e o português em zona interior, por isso não dramatizemos. Aliás, à hora em que escrevemos estas linhas, já Pizzi se tinha redimido com mais um golo na liga. Eu não vos disse para terem calma? #pissi não falha.

GUEDES
As suas exibições começam a parecer uma espécie de Operação Coração do século XXI benfiquista. Neste caso, espera-se que os donativos venha do Valência ou de qualquer outra entidade legalmente detida por Peter Lim. Enfim. É verdade que Guedes tem passado mais tempo em campo devido às inúmeras lesões dos colegas, é inquestionável a sua entrega ao jogo, e ninguém duvida da sua vontade de celebrar golos e vitórias connosco, portanto, hoje evitaremos culpar o estagiário. Até porque ganhámos.

MITROGLOU (OU NUNO GOMES)
Sófocles, pensador grego que não terá ficado fã do Twitter, disse que nenhuma mentira chega a envelhecer no tempo. Apesar de não perceber um charuto de futebol, a bojarda de Sófocles aplica-se lindamente à exibição do compatriota Mitroglou. Depois de lhe negarem um golo em posição legal aos 37 minutos, Mitroglou reagiu com a tranquilidade de quem, como nós, visita regularmente o citador.pt. Só mais tarde vingaria a verdade desportiva, com um golo pleno de oportunismo que colocou o Benfica na frente e alguns dos seus colegas fora da unidade de cuidados intensivos. Ao invés do vagamente insultuoso "sem saber ler nem escrever", deveríamos adoptar a expressão “uma vitória com a escolaridade obrigatória” - à imagem, aliás, deste cronista.

CERVI
Tentou cumprir o papel de desfribrilhador do ataque benfiquista e até cumpriu, na medida em que conseguiu não irritar nenhum adepto e perturbar alguns adversários. Tem tudo para vir a ser um belo suplente de Salvio, assim que Salvio se tornar suplente de Carrillo. Parece pouco, amigo Cervi? Se fosse fácil não era para nós.

CELIS
Substituiu André Horta e continua a parecer alguém que conquistou a oportunidade de entrar no relvado depois de ter enviado 4 códigos de barras de Tulicreme para um apartado postal. Mais uma vitória #rumoao36, mais uns minutinhos #rumoàequipaB.

CARRILLO
Ia marcando. Toda a gente sabe que o rapaz é habilidoso, mas nem sempre se entende com os colegas, como se de repente o António Zambujo fizesse uma canção com o Regula – o que, infelizmente, acabará por acontecer."

Benfiquismo (CCXXX)

Uma vida de Benfica...

Vermelhão: Complicado, mas justo...

Chaves 0 - 2 Benfica


Três pontos, sem sofrer golos, num jogo muito complicado, ainda com muitos ausentes!
A 1.ª parte foi má... ponto final.
O Chaves entrou com a pedalada toda (que seria impossível aguentar os 90 minutos); o Benfica jogou com os sectores muito afastados, o que facilitava as saídas rápidas do Chaves para o contra-ataque; faltou essencialmente ligação, meio-campo - avançados; e em cima de tudo isto, as leis do jogo nos primeiros 45 minutos foram suspensas!!! Pois o apitadeiro, esqueceu-se dos cartões no balneário... excepto para os jogadores do Benfica!!! Podem achar esta questão secundária, mas toda a agressividade que os Transmontanos tiveram durante a maioria dos minutos, só aconteceu porque perceberam que podiam dar 'porrada'!
No 2.º tempo melhorámos... Jogámos mais 'juntos', começamos a recuperar a bola numa posição mais 'alta', e o Chaves teve menos espaço para o contra-ataque (basicamente um remate perigoso - à malha lateral -, na 2.ª parte). Não fizemos uma exibição de sonho, mas fomos superiores, e marcámos na sequência de bolas paradas...
Não costumo fazer analises resultadistas, mas hoje os destaques são mesmo os marcadores dos golos!!! Com Mitrolgou em campo, a dinâmica ofensiva do Benfica é logo outra; e o Pizzi subiu claramente de forma... e só não está a render mais, porque a Esquerda não é para ele!
A grande surpresa, acabou por ser a chamada do Ederson, que fez um excelente jogo! Não sei qual o raciocínio por trás desta opção, mas se o Rui Vitória antecipou, que neste jogo, o Chaves ia tentar colocar a bola nas 'costas' dos nossos centrais, e por isso era necessário um guarda-redes rápido a sair da 'linha', então a decisão foi acertada... Por exemplo, em Nápoles, com o Benfica a jogar com as 'linhas' mais recuadas, se calhar o Júlio será chamado...!!!
Já falei do critério disciplinar, torto durante os 90 minutos, especialmente na 1.ª parte! Mas o critério técnico também foi torto... Tiago Martins está apresentado, é claramente o 'afilhado' do Desdentado! Foi 'engraçado' verificar a estratégia da lei da vantagem, para evitar dar cartões aos jogadores do Chaves, fez isso 3 ou 4 vezes!!! O Lisandro já não teve a mesma sorte...!!! A agressão do Rafa ao Grimaldo, castigada com um 'aviso', é o cumulo!!!!
Acho mesmo que o golo mal anulado ao Benfica, por fora-de-jogo ao Mitro, com 0-0 no marcador, acabou por ser um erro 'menor'... tendo em conta todos os outros erros!
Apesar de todo o ambiente de festa, neste regresso a Trás-os-Montes, era muito importante não escorregar hoje! O Campeonato vai parar 3 semanas em Outubro, vamos ter oportunidade de recuperar vários jogadores... Depois de todos os obstáculos ultrapassados nestas últimas semanas, manter a liderança é um excelente tónico psicológico!
Antes do Feirense na Luz, temos viagem a Nápoles, onde vamos encontrar o líder da Liga Italiana! Com as actuais opções, com as dificuldades que temos demonstrado no nosso processo defensivo, espero uma equipa diferente: se calhar com Luisão, se calhar com o Horta ao lado do Mitro... se calhar com o Almeida na lateral direita... se calhar com o Pizzi de volta ao seu lugar... vamos ver, apesar do empate com o Besiktas, este jogo em Nápoles não é decisivo, mas era interessante pontuar...!!!

Tranquilo

ISMAI 27 - 37 Benfica
(14-20)

Finalmente, um jogo tranquilo... até deu para o Terzic marcar golos aos 9 metros!!!

sábado, 24 de setembro de 2016

Tradição?!

Corruptos 13 - 7 Benfica


As últimas pré-épocas do Hóquei do Benfica, têm sido patéticas!!! O ano passado depois da absurda derrota com o Sporting na Supertaça, ganhámos praticamente tudo... apesar de uma quebra exibicional na 2.ª parte da época!
Se calhar, os jogadores e os técnicos do Benfica, fizeram questão em exibir-se de forma amadora, novamente, neste inicio de época, com esperança que as coisas voltem a correr bem durante o resto da época!!! Qualquer outra explicação, mete-me medo...!!!
E sendo honesto, estou mesmo com muito medo...
Prefiro 'brincar' um pouco com a derrota na Supertaça (mais uma...!!!), do que falar a sério, e faltar ao respeito a quem já me deu algumas alegrias...!!!
E já agora, o facto do Benfica ter recuperado de um 7-2, para um 7-6 no início da 2.ª parte, não desculpa o que aconteceu no resto do jogo!

PS: Também perdemos a Supertaça no Ténis de Mesa, mas neste caso, o facto de estarmos na Supertaça, já é um feito considerável, já que esta secção regressou à I Divisão, à bem pouco tempo..

O exemplo da formação no futebol

"Os nossos clubes de futebol são um exemplo para Portugal, porque têm tudo o que o País precisa para conseguir crescer e desenvolver-se.

A Academia do Seixal fez 10 anos de existência e o Benfica assinalou a data com um conjunto de iniciativas para as quais fez convites e diversas entidades que incluiu - e bem - os três jornais desportivos portugueses, numa sadia manifestação de inclusão e de sentido de responsabilidade de uma instituição com a grandeza e a notoriedade do clube.
Em condições normais, ou seja, num país normal e numa sociedade normalizada, a referência poderia parecer despropositada, de tão óbvia razoabilidade, pois é evidente que os jornais desportivos são parceiros no desenvolvimento e no crescimento dos clubes.
No caso português, porém, nem sempre existe o reconhecimento da liberdade crítica dos órgãos de comunicação, em especial, em matéria tão exaltante quanto é o futebol profissional.
Enfim, não é propriamente desse tema - apesar de interessante e sempre actual - que me interessa aqui e agora falar e desenvolver.
Não é apenas a do Benfica. A Academia de Alcochete, que o Sporting criou com tão expressivos e importantes resultados foi, aliás pioneira. É ma fonte e uma escola de grandes futebolista, tal como também sucede com o Centro de Treinos e Formação Desportiva do FC Porto, em Gaia.
O SC Braga já arrancou com o conceito e com as novas instalações para a formação, sendo curioso dizer que o Vitória Sport Clube, de Guimarães, foi o primeiro a lançar as bases destes projectos de formação com o então presidente Pimenta Machado.
Haverá, certamente, outros exemplos espalhados pelo país, falo dos que conheço e que, de alguma forma, acompanho. São, todos eles, centros de formação de altíssima qualidade e que emprega técnicos da mais elevada competência. Formam atletas, projectam o futuro, criam sustentabilidade financeira dos clubes e, muito especialmente, formam e educam homens para a vida.
Na voragem dos resultados de fim de semana, na inquietação dos discursos mais inflamados e nem sempre sábios, na irracionalidade do sectarismo de uma cultura desportiva cega, surda, mas só muito raramente muda, poucas vezes os portugueses se dão conta de que os centros de formação de jogadores, ou academias, são, hoje, exemplos de sucesso nacional para qualquer outro sector da sociedade e, apesar disso, nem sempre devidamente reconhecidos e elogiados.
Admira-se muitas vezes o país de ter um futebol de topo, um futebol farto em jogadores, treinadores e até dirigentes de elite, todos eles ao mais alto nível da Europa e do Mundo. Surpreendem-se os mais distraídos com o facto do nosso futebol estar entre os melhores, apesar de muito longe de poder acompanhar financeiramente os mais ricos. A explicação é, afinal, bem mais simples do que muitos pensam: trabalho, planeamento, criatividade, organização, competência e acção.
É espantoso: tudo o que parece faltar ao país para crescer e de desenvolver tem o seu futebol. E esta é uma realidade, a um tempo, indiscutível e perturbadora. Indiscutível, porque está à vista de todos. Perturbadora, porque desmente a vulgaridade, o desinteresse e a incompetência dos portugueses em matéria de trabalho e de profissionalismo.
Que os clubes de futebol portugueses são um exemplo para Portugal, disso não tenho a mais pequena dúvida. Em especial estes que, como o Benfica, têm escola e fazem escola porque sabem que só assim podem ser cada vez melhores e maiores no futuro."
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Kaepernick

"Colin Kaepernick, jogador dos San Francisco 49ers que se tem ajoelhado quando escuta o hino dos EUA, protestando contra discriminações raciais, iniciou uma sublevação pacífica, ganhando seguidores em jogadores de várias modalidades.
Há dias, chateado com isto, o congressista republicano Lee Zeldin, depois da captura do suspeito do último atentado em Nova Iorque, twittou «Escusas de agradecer, Kaepernick...», sugerindo que as autoridades, a homeland, os símbolos, não podem ser questionados.
Este é o lado democraticamente mais quebradiço dos EUA, aquele que leva a que uma grande fatia dos americanos pareça lidar mal com críticas a polícias e militares. Sentir, pior, que tal é feito pela grande instituição que é o desporto tem um poder ainda mais sugestionável.
O lado positivo disto, diria, é a própria discussão: Kaepernick faz bem em desrespeitar símbolos da pátria - e, de acordo entendimentos de muitas personalidades, os seus concidadãos - ou teria outras formas de protesto?
Acontece que o desporto nos EUA - que tem forte alicerce nacionalista, ora pelo toque do hino em todos os jogos, ora por alguns rituais militarizados - é um meio de expressão admiravelmente livre e comunicativo. Lá, sempre houve atletas interventivos, mensageiros.
Cá - logo à partida por ser infracção prevista no Código Penal como Ultraje a símbolos nacionais - é difícil imaginar um atleta de elite afrontar assim Portugal. Mesmo em patamares abaixo, na mera expressão de opinião, os nossos atletas reduzem as intervenções políticas às meras circunstâncias da modalidade que representam, à falta de apoios e coisinhas que tais. Nada além disso.
Quis Kaepernick desrespeitar o seu país? Ou negá-lo? Eu acho que quis só questioná-lo, nos valores sociais e na aplicabilidade das leis nacionais. Essa agitação, exagerada ou não, faz sempre falta. Houvesse por aí mais Jarpernicks."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Tiro ao boneco é que não

"Muito se fala em comunicação como se a comunicação jogasse à bola. Disparates. Esta semana, por exemplo, o melhor comunicador do Benfica terá sido o grego Mitroglou, autor de dois lindos golos no jogo com o Sporting de Braga. Atribuem-se à pobre – e quantas vezes miserável – comunicação culpas no cartório em tempo de derrotas. Esta até é uma grande vantagem para os sectores verdadeiramente proeminentes e responsáveis da indústria do futebol que lá vão fugindo às suas responsabilidades a expensas de outras pequenas exibições nas redes sociais ou em amáveis marisqueiras populares. Esta arte de comunicar, novas tecnologias à parte, não traz nada de substancialmente revolucionário. Mas também a fome encoberta não é novidade no mundo e, ainda assim, continua a ser um problema.
Não fugindo à regra, o Benfica tem um novo director de comunicação desde o princípio da temporada oficial. A sua função – bendita seja – tem sido a de estar calado. Poucos lhe conhecem a cara, muito menos a voz e ainda menos o estilo epistolar. Tem sido um descanso, uma tranquilidade, um consolo – presumo – para grande parte dos benfiquistas nestes tempos marcados pela dramática infantilização dos discursos oficiais e pelo triunfo social da vulgaridade na “net”.
Mas futebol é futebol, felizmente. Por isso mesmo espero que a comunicação do Benfica nunca caia oficialmente na esparrela de trocar as nossas alegrias do mundo real, como as dos dois golos do Mitroglou ao Sporting de Braga, pela volúpia fácil de 5 mil “likes” em 10 minutos ou de 10 mil “likes” em 5 minutos, nos casos de maior sucesso. Haverá, no entanto, quem não pense assim no meu clube e exija e dê respostas contundentes à filosofia adversária num contínuo tiro ao boneco que, a meu ver, desonra bem mais os atiradores do que o boneco propriamente dito, isto para utilizar uma terminologia de feira que não ofenda ninguém
Portanto (e pelas alminhas) que continue o novo director de comunicação do Benfica como se tem vindo a apresentar, calado. Tiro ao boneco é que não.

O Benfica viu-se líder na noite de segunda-feira mas como os seus concorrentes directos jogaram ontem e ganharam se quiser voltar a ser líder o Benfica terá de ganhar hoje em Chaves. Aliás, querendo ser campeão, o Benfica teria de ganhar sempre hoje em Chaves independentemente dos resultados de ontem do Porto e do Sporting. Creio que vai lutar por isso. E que vai ser uma trabalheira."

Benfiquismo (CCXXIX)

O nosso grande desejo...

É bom ser primeiro mas nada relevante

"O Benfica ascendeu ao primeiro lugar ao fim de cinco jornadas, numa altura em que tinha metade dos seus habituais titulares magoados, e quando os seus adversários cantavam hossanas. É bom, mas nada de demasiado relevante.
Os últimos anos mostraram que quem lidera por esta altura tanto pode vencer como pode acabar bem longe do topo. A vitória sobre o SC Braga tem no entanto um sabor próprio, de quem vence um dos melhores emblemas da prova. Enquanto outros em frente do espelho perguntam «espelho meu, espelho meu, há alguém melhor do que eu?» o Benfica sobe à liderança com humildade e categoria. Neste momento há uma luta no Benfica para se chegar à prolongada paragem de Outubro sem perder pontos, para aí poder recuperar a totalidade do plantel.
Os nossos adversários mais directos, todos ajudaram ao nosso bom humor. O Sporting depois de um belo jogo em Madrid, estatelou-se com estrondo contra um excelente Rio Ave; o FC Porto depois de um jogo descolorido contra aquela equipa dos «empregados da fábrica de cerveja dinamarquesa», não foi além de um empate contra o último classificado e o SC Braga perdeu na Luz.
Quando fazemos a nossa parte e os outros ajudam, é mais soalheira e sorridente a semana, mas apenas isso, porque outras semanas com outros sorrisos e temperaturas se aproximam. Em Chaves, por exemplo, jogam as únicas equipas que ainda não perderam neste Campeonato. Será muito difícil e importante o jogo em Trás-os-Montes.
O regresso de Mitrolgou ajudou na passada segunda-feira, esperemos que mais algum regresso seja possível amanhã.
O tricampeão, lidera o campeonato e apresentou as contas da SAD com um lucro recorde, mesmo assim ao contrário de outros, está apenas focado no que falta fazer e conquistar.
Gosto assim do meu Benfica, rigoroso, exigente e ambicioso."

Sílvio Cervan, in A Bola

Continuar Benfica

"Uma das qualidades que mais aprecio em Rui Vitória é a coerência do seu discurso que, estou convicto, encontra paralelo na sua actuação. Recordo-me das críticas de que foi alvo relativamente à mensagem que tentou passar semanalmente nos seus primeiros meses no comando da nossa equipa de honra de futebol. 'Vamos continuar o nosso caminho' e 'se fosse fácil não era para estes jogadores nem para esta equipa técnica' são somente dois exemplos entre os muitos que poderia citar. Nestes, como em tantos outros, predomina visão, estratégia, determinação, convicção e, sobretudo, sentido colectivo. Em suma, liderança. Demonstrou estas qualidades no início do seu caminho, ao longo de curvas e contra-curvas, na difícil recta da meta e, não surpreendentemente, quando foi consagrado. Então, o seu foco, como sempre, estava já nos desafios seguintes, não sem antes, mas quase de passagem, partilhar os louros do sucesso com todos os que contribuíram para ele, ao invés de tentar individualizá-lo.
Hoje, realizadas cinco jornadas do Campeonato Nacional, o Benfica é o líder isolado da classificação. 'Não há campeões à 5.ª jornada' e 'é claro que estamos contentes, mas o planeamento para o treino de amanhã mantém-se' são as mensagens fortes de Rui Vitória. Mais uma vez, a primeira pessoa do plural, a humildade e a percepção de que existe vida para além do imediato e de si próprio, caracterizam a sua mensagem. Com isso ganha Rui Vitória, todos os que o acompanham e, indiscutivelmente, ganhará o Benfica.
Seremos campeões no final desta temporada? Ninguém sabe, mas é legítimo acreditar nesse desígnio. Porque o Benfica, ao ser Benfica - 'De Todos, Um' - será sempre mais forte."

João Tomaz, in O Benfica