Últimas indefectivações

segunda-feira, 24 de julho de 2017

O futuro dos clubes portugueses

"Não faltará muito para que o modelo que vai sustentando a competitividade dos grandes do futebol português se esgote.

Será que o modelo tradicional, onde os sócios são quem mais ordena, mesmo num contexto de SAD, usado ainda pelos principais clubes portugueses, tem os dias contados? Não será para já, quiça nem sequer para amanhã, que esta questão irá colocar-se mas creio que a entrada nas SAD de capital maioritário privado acontecerá. mais cedo ou mais tarde. A páginas tantas, nem mesmo este modelo de gestão que se baseia na formação e prospecção como meios geradores de mais-valias que equilibram as contas, será suficiente para garantir a competitividade a nível internacional. Daí até à entrada de investidores maioritários será apenas um pequeno passo. Quem são os grandes compradores do mercado em 2017/18? Os ingleses, que potenciaram uma fórmula americanizada que gera proventos gordos em direitos televisivos e trata a indústria do futebol com profissionalismo e rigor, sem as tentações autofágicas que marcam o quotidiano português; os colossos espanhóis, capazes de gerar receitas anuais da ordem dos 1000 milhões de euros; alguns alemães, com o Bayern à cabeça, que têm a Liga mais bem organizada do mundo e recebem um apoio assinalável da poderosa indústria germânica; e os italianos, com dinheiro fresco, de origem chinesa, dos clubes de Milão, a fazer a diferença. Depois ainda há que contar com os russos e os turcos e ainda com os inevitáveis clubes da China, onde em boa hora foram introduzidos travões administrativos à vertigem gastadora. Os clubes portugueses nem remotamente podem competir com nenhum destes e com as alterações que vão chegar na Champions, onde as grandes Ligas vão ser ainda mais beneficiadas, o panorama não é animador.
Que fazer, então, quando o modelo vigente se esgotar (e não faltará assim tanto...)? Aquilo que pode acontecer é a entrada de investidores que passem a mandar de facto - e em clubes médios e pequenos, entre nós, isso já se verifica - o que irá requerer uma prévia autorização dos sócios. Hoje, estou certo que tal projecto não passaria. No entanto, se a situação se degradar como é previsível que venha a suceder, se passarmos para um patamar competitivo, a nível internacional, mais baixo, provavelmente haverá condições para esse salto. Para já fica aqui, apenas, o alerta para um futuro diferente.

ÁS
Frederico Morais
Não venceu a etapa de J-Bay, mas esteve muito perto dessa proeza. E deixou a certeza de ter uma carreira fulgurante à sua frente, feita de qualidade, ambição, competência e... bom sendo. Portugal, país que acarinha o surf merece ter um representante assim, capaz de arrancar notas dez. 'Saca' foi grande, 'Kikas' pode ser maior!

ÁS
João Pereira
O triatleta do Benfica, recente campeão europeu e quinto nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, ajudou uma equipa dos encarnados, formada também por Melanie Santos, Miguel Arraiolos e Vanessa Fernandes, a conquistar, em Espanha, o título europeu para clubes, disputado em regime de estafeta. Evolução espantosa!

ÁS
Chris Froome
Quatro vitórias no Tour colocam já este inglês nascido no Quénia na história do ciclismo. Um triunfo mais (que tentará em 2018), elevá-lo ao patamar dos monstros sagrados Anquetil, Merchx, Hinault e Indurain. Inteligente a correr, forte na alta montanha e especialista no contra-relógio, Froome é um campeão.

Uma guerra de palavras que tem muito que se diga
«Bruno de Carvalho tem ciúmes de toda a gente, quer ter protagonismo e não sabe como. Tem inveja do que os jogadores ganham...»
Octávio Machado, ex-dirigente do Sporting
Se havia alguém que, de boa fé, ainda pensasse que o que tem sido noticiado sobre os bastidores do Sporting não passava de exagero da comunicação social, terá mudado de ideias, por certo. Bruno de Carvalho e Jorge Jesus estão reféns um do outro, num casamento de conveniência, que está dependente de resultados imediatos. Octávio Machado apenas disse: «O rei vai nu».

Catalunha de coração nas mãos por Neymar
se percebeu que o PSG esta mesmo a montar uma estratégia que lhe permita contratar Neymar sem infringir as regras do 'fair-play' financeiro. Perante este clima de incerteza o brasileiro optou pelo silêncio, deixando o planeta Barça à beira de um ataque de nervos. Não é fácil substituir alguém como Neymar...

Uma vitória no feminino
Quando Portugal se qualificou, pela primeira vez, para um fase final de um Campeonato da Europa de futebol no feminino, foi entendimento generalizado que a missão estava cumprida e não se deveria exigir mais a esta geração que acabara de fazer história. Afinal, ontem, na Holanda, Portugal venceu a Escócia e deu mais um passo na afirmação da modalidade no nosso país (e que bom seria se Benfica e FC Porto aderissem...). Parabéns a Fernando Gomes, grande impulsionador na FPF do futebol feminino, ao seleccionador Francisco Neto e a todas as jogadoras, especialmente Carolina Mendes e Ana Leite, as autoras dos golos da turma das quinas."

José Manuel Delgado, in A Bola

A queda dos poderosos

"«Acha que um chefe de Estado iria dispensar o seu tempo a qualquer um? Posso falar com qualquer presidente, de qualquer país, mas eles também estarão a falar com um presidente. Eles têm o seu poder e eu tenho o meu: o poder do futebol, que é o maior poder de todos.» A frase pertence a João Havelange, presidente da FIFA durante 24 anos, entre 1974 e 1998, e exprime bem o sentimento de muitos dos homens que governaram o futebol mundial durante décadas. Ele, como Joseph Blatter, e outros, prolongaram-se em cargos de liderança no desporto internacional apesar das muitas alegações de corrupção que sempre os envolveram.
Muitos desses homens caíram na sequência do Fifagate, que conduziu a várias detenções em 2015. Outros, apesar das suspeitas, resistiram mais tempo até que foram tombando. Ángel Maria Villar foi o último dos dinossauros do dirigismo do futebol. O presidente da federação espanhola e vice-presidente da FIFA e da UEFA está em prisão preventiva sem direito a fiança, acusado de ter prejudicado a sua própria federação num valor próximo dos 45 milhões de euros.
Homens como Villar estiveram demasiados anos no poder. Ao ponto de muitos deles se sentirem intocáveis. A herança de Gianni Infantino, actual presidente da FIFA, é pesada. Um passo em falso pode comprometer uma instituição que volta a lutar por uma imagem credível depois de ter sido amachucada por aqueles que a comandaram desde os anos 70 até à saída de Blatter. É certo que alguns caíram, mas outros continuam a ter influência e deixaram alunos em posições de destaque. Uns podem sair, mas é importante que as autoridades mantenham a vigilância sobre os que ficam."

Fundos sem fundo

"No início era a bola e os jogadores: nasceu o futebol-jogo fantástico.
Depois, com o tempo, nasceram os clubes e um desenvolvimento imparável.
Durante muitos anos, as competições locais e internacionais foram os pontos máximos do encantamento e do envolvimento de gerações.
Surgiram ídolos que se “libertaram da lei da morte” e proezas que pulverizam tempos e distâncias: criam-se lendas, partilhas de momentos com história.
Com naturalidade englobam-se novos conhecimentos (ciência, tecnologia, metodologia, novos materiais), novos interesses e especialistas.
De repente, num surto quase epidémico, como “cogumelos espontâneos”, o jogo passou a ser um campo para criar riquezas, das mais variadas formas. Os milhões tornaram-se motivação sem limites. 
A criação de fontes de receitas pulverizou-se num esquema piramidal, sem regras nem princípios, mas com fins definidos: lucros, dinheiro, muito dinheiro… e vítimas colaterais.
O talento cedeu o lugar aos activos. Sobrevalorizam-se jovens, precoce e perigosamente, para criar bolsas ininterruptas de recrutamento e de criação de utopias, muitas vezes trágicas mas na maioria silenciadas pelos esquecimentos intencionais.
Engenharias financeiras, artificiais, mas muito “criativas”, chegam em força, multiplicam-se sem nunca se entender onde tudo começa e acaba, com alguns, que não entram em campo, a ganharem muitos milhões. Compram-se direitos sobre jogadores, clubes e estádios, vendem-se participações variadas, multiplicam-se clubes e rotas por onde viajam jogadores, trocam-se posições e, nesses percursos de vaivém, há sempre campeões de lucros “pornográficos” que criam novos jogos: esconde-esconde do dinheiro.
Futebol engrossa contas bancárias de investidores de sucesso e da descoberta de paraísos, particularmente fiscais… A quem servem e como continuam com estrondoso êxito a permitir a evasão fiscal?
Estes galopantes estratagemas (muitas vezes criados por quem nunca calçou chuteiras ou nunca entendeu o jogo) têm destruído a essência do jogo, têm desperdiçado e usado jovens talentos e criado mitos com pés de barro, numa alienante venda de ilusões, com resultados dramáticos. 
Progressivamente os interesses (do investimento e do jogo) passam a ser contrários, adversários, aprisionando o jogo e procurando impor uma agenda escondida: alterações constantes de leis de jogo, implantação de critérios e ponderações para salvaguarda das equipas mais ricas, mais poderosas, negócios cada vez mais estratosféricos, estranhas escolhas de locais para Mundiais, casos contínuos de corrupção e muitos mais pormenores que, no fundo da linha, mantêm o sonho nunca abandonado da criação da Superliga europeia, como expoente máximo do negócio mas também como pandemia que pode matar um património da humanidade - o futebol-jogo.
No futebol-jogo anseia-se por atingir patamares sempre mais elevados, onde todos se procuram distanciar do fundo.
No futebol-negócio o Fundo é outro campeonato, mesmo que eventualmente conduza ao caos e perversidade.
“O futebol, como os estouvados de boa família, perde a sensibilidade e a vergonha e teima em viver acima das suas posses”. (in Jerry Silva, “Futebol: Desafios e Rumos para vencer” 2016,136)
O conhecimento é sempre um percurso imparável. A utilização desse conhecimento potencia a diversidade e a criatividade. O futebol evolui imparavelmente graças ao contributo dos talentos e da genialidade dos jogadores bem como à competência e inovação dos treinadores.
Dentro das 4 linhas assistimos a várias criações, a descobertas, a sinfonias orquestradas.
Essa realidade promove um crescimento sustentado do número de praticantes, preferencialmente de jovens, mantendo o jogo como espaço de entendimento global.
Mas são muitas e diversas as influências do economicismo fundamentalista que se abateu sobre o futebol mundial.
A recente detenção do Presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, Ángel Villar que ocupa o cargo desde 1988 e também membro da UEFA e vice-presidente da FIFA, por suspeita de corrupção, é um sinal preocupante dos riscos de contágio do negócio para o jogo.
Os investidores conseguem criar “vias-sacras” labirínticas por onde circulam direitos, investimentos, vendas e lucros, curiosamente penalizando sempre o elo mais fraco – o jogador (excepção para os craques galácticos).
“… fica a conhecer-se a composição complexa dos direitos económicos do jogador: 30% do Cruzeiro, 20% nas mãos dos supermercados BH, 20% do fundo de investimento Futinvest, 10% da Agremiação Desportiva Ovel (onde Lucas Silva começou a jogar), 10% do banco BMG, que também é patrocinador do clube de Belo Horizonte e, por fim, 10% do próprio jogador… (in Pippo Russo, “A Orgia do Poder”, 2017; 264)
E porque o negócio, sem regras nem controlo sistemático, pode criar riscos acrescidos e condições para uma autêntica feira franca, uma espécie de bilderberguização do futebol, basta analisar os documentos do Fotball Leaks vindos a público, para se perceber que há muitos “fundos sem fundo”. 
Tiago Carrasco, no seu trabalho “Apostas Viciadas” (in A Revista do Expresso, 15.07.2017) analisa também o relatório da FederBet sobre eventual manipulação de apostas, jogos fantasmas e viciação de resultados no futebol nacional, particularmente em divisões secundárias, nas quais se referem investidores (da China, de Singapura e não só) dirigentes, jogadores e treinadores, bem como os efeitos nefastos para vários clubes, alguns com passado histórico no futebol português.
O Futebol (o desporto em geral) permite alcançar dimensões únicas, motivantes, que reforçam a confiança, desde que não se permita que o futuro seja hipotecado e “enjaulado” por interesses alheios e contrários ao seu desenvolvimento.
Assim e tendo como exemplo a evitar os génios da pintura que, em vida, não venderam as suas telas e passaram por extremas provações, desejamos que as entidades que tutelam o futebol em particular e o desporto em geral, saibam sempre cumprir com lealdade e competência as funções que lhes foram confiadas.
Fundo sem fundo? Não, obrigado!"

Alvorada... rescaldo dos títulos do fim-de-semana

Cadomblé do Vata

"1. Zivkovic tem tanto talento por m3 de corpo que pode ser considerado uma aberração... naquele 1,70m cabe tanta classe, que dava para encher o corpo todo do Brian Deane e nem sobrava espaço para meter lá o pouco que havia dentro do Pedro Henriques.
2. Eu que sou do tempo em que Eliseu era criticado pelos adeptos, eu incluído, só posso ficar feliz por o ver subir ao panteão dos Ídolos do Plantel... no final de contas a conclusão que tiro é que o problema do Thomas não era a inexistência de mobilidade, era não ter carta de motociclos.
3. Nos últimos anos, no SLB parece ter sido estabelecido que extremo esquerdo de sucesso é nº 20, ponta de lança goleador é canhoto e defesa direito voador é negro... fica assim definido que não interessa o talento, o êxito alcança-se mantendo padrões.
4. Seferovic não marca há 1 jogo... temos de começar já a puxar das estatísticas dele ou podemos esperar mais uns meses?
5. Às vezes os árbitros pecam por facilitismo e noutras por excesso de zelo. Por exemplo, num jogo amigável, quando um defesa rasteira um avançado isolado à entrada da área não se deve expulsar o infractor... num caso destes é mais correcto mostrar amarelo ao faltoso e assinalar penalty a favor da vítima."

Lisandro López está mesmo a precisar daquele empréstimo ao Besiktas com opção de compra

"Júlio César
Obrigado várias vezes a jogar com os pés, tendo tocado mais vezes na bola do que alguns jogadores de campo.

Buta
Neste momento qualquer opção para a direita parece parece superior a Pedro Pereira, o que pode enviesar esta análise. Aurélio Buta não comprometeu e até teve dois ou três lances ofensivos bem conseguidos. Nada de mais, mas Nélson Semedo também não impressionou na primeira pré-época. Agora pensem.

Luisão
De pedra e cal como titular, até porque não há mais.

Lisandro López
Uma tentativa de sair a jogar resultou no golo do Hull. Nada que um empréstimo ao Besiktas com opção de compra não resolva.

Eliseu
Um dos jogadores em melhor condição física no jogo de hoje. Quase marcava aos 81 minutos num pastel a 35 metros da baliza. Seria um prémio justo para uma exibição perfeitamente banal.

João Carvalho
Os mestres da auto-ajuda dizem-nos que a vontade e o trabalho superam todas as barreiras. João Carvalho mostrou vontade e trabalhou, mas não superou um adversário da segunda divisão inglesa. Não me cheira que vá ficar no plantel.

Samaris
Não sendo o jogador mais equilibrado do plantel, teve a seu favor o facto de ser um dos poucos adultos no onze titular.

André Horta
Torna-se complicado quando não percebes se é a primeira ou a segunda época de um jogador no plantel principal. Anda lá, miúdo. Apostei um jantar no Edmundo em como tu chegavas a titular da selecção.

Carrillo
Ajuda saber que vai ser vendido.

Diogo Gonçalves
Talvez seja prematuro aumentar a sua cláusula de rescisão.

Mitroglou
Passou o jogo a insultar Rui Vitória por não ter colocado Jonas ao seu lado. Foi procurando outras referências no ataque como eu quando vou à procura de fraldas tamanho 4 e dou por mim no corredor das fraldas para incontinentes: um misto de embaraço e desorientação, na esperança de que ninguém esteja a ver.

Filipe Augusto
Hoje esteve um pouco melhor. O seu QI aumenta à medida que perde os quilinhos a mais. Ainda assim terá que fazer mais para ser o suplente de luxo de que o Benfica precisa.

Chris Willock
Grande passe para Seferovic aos 82'. Não é um Ferrari como diz a alcunha, mas temos aqui um Dacia Duster com equipamento de série. Nas mãos desse grande mecânico Rui Vitória, nunca se sabe. 

Bruno Varela
Nunca um terceiro guarda-redes tinha tido tanto protagonismo numa pré-época do Benfica. O que vale é que vem aí o segundo guarda-redes do Vitória de Guimarães, senão estávamos bem lixados. 

Chrien
Mais alguns minutos bem conseguidos do novo Matic.

Jardel
Bem. Mostrou a inteligência emocional que Lisandro só parece ter quando está no Instagram a escrever frases inspiradores para as suas selfies.

Rúben Dias
Merece mais minutos e provavelmente vai tê-los - na equipa B.

Seferovic
Um acontecimento raro. Seferovic é aquele tipo que aparece na noite a acompanhar um amigo nosso e tem tudo para se tornar um fardo, mas, surpresa das surpresas, apesar de não o conhecermos de lado nenhum passam-se duas horas, começamos a falar da última temporada de House of Cards, do Gentil Martins e de gajas no Tinder, e vai-se a ver já somos amigões. Seferovic é assim. Tem tudo para dar certo, pelo menos se sobreviver à bebedeira da pré-época.

Jonas
Entrou e disse: "calma mininos, papai chegô."

Zivkovic
Belíssimo amuse-bouche de um menino que vai partir tudo esta época."

Um Azar do Kralj, in Tribuna Expresso

Benfiquismo (DXXXIX)

Argentina - Benfica !!!

domingo, 23 de julho de 2017

Campeões Europeus... por equipas-mistas de Triatlo !!!

Pois é, é a 5.ª modalidade onde o Benfica se sagra Campeão Europeu absoluto. Desta vez foi no Triatlo, com 2 atletas masculinos (João Pereira, Miguel Arroilos) e 2 atletas femininos (Melanie Santos, Vanessa Fernandes)... mesmo a lesão de última hora do João Silva, a equipa não se ressentiu!

O Benfica tem vindo a apostar no Triatlo à muitos anos, e não é só com as 'estrelas' nacionais, temos apoiado vários jovens, alguns deles como o Vasco Vilaça, prontos a dar o salto para a Elite! Portanto, não é um título esporádico, tem sido um trabalho estruturado, e seguramente nos vai dar mais alegrias no futuro...

Agora, só falta conseguir o título nacional... Curiosamente, é capaz de ser mais difícil, porque a Federação continua com a saga de marcar as etapas do Nacional, nas mesmas datas, que os nossos melhores atletas têm competições internacionais...! E a qualificação Olímpica depende do ranking Mundial!


Heptacampeões !!!

Todos os títulos são saborosos, mas este é inegável, que teve um sabor extra especial!!! Depois do vergonhoso ataque a atletas do Benfica, com contracto, por parte dos Lagartos, mesmo sem poder contar com algumas das contratações estrangeiras... o Benfica revalidou o título máximo masculino colectivo do Atletismo português!!! Mesmo sem uma prova perfeita - alguns atletas tiveram abaixo do seu potencial -, vencemos com alguma tranquilidade... 10 pontos de avanço (153-143)!!!
No feminino, a vantagem está a ser reduzida... com 3 ou 4 contratações chave, podemos lutar seriamente pelo título no próximo ano. A diferença este ano 'contou' com a desclassificação da nossa estafeta nos 4x100m.


Masculinos
100 metros - David Lima - 1.º lugar - 10s30
110 metros barreiras - Hélio Vaz – 2.º lugar – 14s37
200 metros - David Lima – 1.º lugar – 21s15
400 metros - Ricardo dos Santos – 2.º lugar – 47s84
400 metros barreiras - Samuel Remédios – 7.º lugar – 58s08
800 metros - Miguel Moreira – 1.º lugar – 1m54s61
1500 metros - Emanuel Rolim – 2.º lugar – 3m56s04
3000 metros - Rui Pinto – 1.º lugar – 8m13s19
3000 metros Obstáculos - Miguel Borges – 1.º lugar – 8m54s67
5000 metros - Samuel Barata – 1.º lugar – 14m22s03
5000 metros Marcha - Miguel Carvalho – 1.º lugar – 20m28s26
Estafeta 4x100 metros - Benfica – 1.º lugar – 39s93
Estafeta 4X400 metros - Benfica – 2.º lugar – 3m16s02
Vara - Diogo Ferreira - 1.º lugar – 5,40 metros
Altura - Paulo Conceição – 1.º lugar – 2,07 metros
Comprimento - Marcos Chuva – 1.º lugar – 7,71 metros
Triplo Salto - Tiago Pereira – 3.º lugar – 15,35 metros
Peso - Tsanko Arnaudov – 1.º lugar – 19,90 metros
Dardo - Hélder Pestana – 3.º lugar – 63,51 metros
Martelo - António Vital e Silva – 1.º lugar – 71,48 metros
Disco - Francisco Belo – 1.º lugar – 61,44 metros

Femininos
100 metros - Adriana Alves – 2.º lugar – 12s28
100 metros barreiras - Lacabela Quaresma – 2.º lugar – 14s04
200 metros - Rivinilda Mentai – 2.º lugar – 24s60
400 metros - Rivinilda Mentai – 2.º lugar – 56s84
400 metros barreiras - Miclelina Francisco – 3.º lugar – 1m03s93
800 metros - Marta Pen – 1.º lugar – 2m06s56
1500 metros - Marta Pen – 1.º lugar – 4m27s21
3000 metros - Silvana Dias – 2.º lugar – 9m37s13
3000 metros Obstáculos - Catarina Viera – 6.º lugar – 12m31s87
3000 metros Marcha - Mara Ribeiro – 1.º lugar – 13m38s18
5000 metros - Silvana Dias – 2.º lugar – 16m35:s91
Estafeta 4X400 metros - Benfica – 2.º lugar – 3m56s67
Vara - Cátia Pereira – 2.º lugar – 4,20 metros
Altura - Lecabela Quaresma – 2.º lugar – 1,74 metros
Comprimento - Teresa Vaz Carvalho – 4.º lugar – 5,59 metros
Triplo Salto - Susana Costa – 2.º lugar – 13,75 metros
Peso - Teresa Silva – 5.º lugar – 11,73 metros
Dardo - Marlene Araújo – 4.º lugar – 40,53 metros
Martelo - Ana Chiu – 6.º lugar – 35,58 metros
Disco -  Juliana Pereira – 2.º lugar - 47,55 metros
HEPTA from Kroll2 on Vimeo

PS1: Parabéns à Diana Durões que hoje nos Mundiais de Natação em Budapeste, bateu o recorde nacional dos 400m livres com 4m10s70.

PS2: Estão a decorrer em Londres os Mundiais Paraolímpicos. Como é habitual Portugal já ganhou várias medalhas. Mas vejam este Ouro do Cristiano Pereira:

B´'s continuam a preparação...

300 mil?! São poucos...

Benfiquismo (DXXXVIII)

Jamor, 1951

Octávio e os passarinhos

"Vivemos numa sociedade onde quem trabalhou numa casa noctívaga não tem credibilidade.

Nestas conversas do futebol, fala-se muito de "credibilidade" como a qualidade sem a qual ninguém pode ser levado a sério.
Até nas esferas mais altas da nossa Justiça desportiva é essencial essa qualidade de se poder ser levado a sério de modo a não ferir decisões importantes para a moral pública.
Veja-se este caso recente da decisão de um órgão disciplinar da FPF sobre o processo do Apito Dourado em que foi liminarmente desprezada a contribuição de uma testemunha por não lhe ser reconhecida credibilidade.
É um facto que vivemos numa sociedade altamente civilizada onde, por exemplo, quem trabalha ou trabalhou numa casa noctívaga não tem credibilidade, enquanto aos clientes da mesma casa noctívaga é reconhecida toda a credibilidade desde que por lá paguem as contas e exijam os seus números de identificação fiscal nas facturas. É assim que o país progride.
Todo este relambório vem a propósito de Octávio Machado, o ex-director do futebol do Sporting, e da entrevista que concedeu à CMTV tendo como tema central a sua saída voluntária da estrutura do clube de Alvalade que, agora sem ele e segundo as suas próprias palavras, está repleta de "passarinhos", que é a mesma coisa do que dizer que a incompetência campeia.
A mudança de campo de Octávio provocou, naturalmente, acesas discussões entre a opinião pública dividida no que respeita à credibilidade a emprestar ao funcionário diligente e leal à presidência que passou, com a mesma verve de sempre, a dissidente leal à dissidência.
Feridos pela doença intratável de clubismo, milhares de fazedores de opinião – os profissionais dos estúdios de TV e das redes sociais e os amadores que pululam em todos os cafés e cervejarias do país – fizeram passar as declarações contundentes de Octávio Machado pelo crivo da querida credibilidade e chegaram a dois tipos de conclusão: a primeira, aos olhos dos sportinguistas afectos ao regime, é que o ex-dirigente em causa não tem credibilidade nenhuma, e a segunda, aos olhos da oposição interna e dos rivais externos é que o mesmo ex-dirigente tem toda a credibilidade do mundo.
Curiosamente, antes da demissão de Octávio ser uma hipótese a considerar nos terreiros, as opiniões destes grupos em confronto eram em tudo contrárias.
E os que acreditavam no "palmelão" que reunia em si o suprassumo das qualidades de que um homem necessita para ser levado a sério são agora os que menosprezam e fazem por ignorar olimpicamente as opiniões do "palmelinho" a quem acusam do ressabiamento dos não-credíveis. E vice-versa. "Olhó passarinho!", gritavam os antigos fotógrafos de feira.
"Olhó passarinho!", diz agora o novo Octávio que, em boa verdade, é o mesmo Octávio de sempre."

Vermelhão: decisões!

Benfica 0 - 1 Hull City


Mais um treino, desta vez com a intenção clara de dar minutos aos menos utilizados. Eliseu, Samaris, Joãozinho e Mitrolgou acabadinhos de chegar das férias... Lisandro, Horta, Carrrillo ainda com poucos minutos, foram todos titulares... Mesmo assim a grande novidade foi o Buta: os 45 minutos com o Bétis foram positivos, e hoje voltou a dar boas indicações, pessoalmente acho que para titular, neste momento, ainda é curto, mas tem potencial para ficar no plantel...

A 1.ª parte foi fraquinha, e se havia vários jogadores em 'exame', para saber se ficam ou se são emprestados, a 'coisa' não correu bem...
No 2.º tempo, após as substituições melhorámos muito... mesmo antes da expulsão do Central do Hull as melhorias eram claras... Com o Chrien a dar excelentes indicadores; o Willock a fazer os melhores minutos desta pré-época; o Zivkovic a 'estrear-se'... e a 'definição' do Jonas tudo foi melhor!
E só não demos a volta ao marcador, porque desperdiçamos várias oportunidades, algumas delas de forma escandalosa... o Seferovic que o diga!!! Os últimos 20 minutos foram um autêntico massacre...

Jogar contra 10 foi mesmo uma novidade para o Rui Vitória, no início da 3.ª época ao serviço do Benfica, em jogos do Campeonato, o Benfica nunca teve tanto tempo em vantagem numérica... o Rui Vitória deve ter achado 'estranho'!!!

Se a 'estrutura' estava à espera deste jogo para definir as 'dispensas' e as eventuais 'compras', então acho que este jogo reforçou a minha convicção: precisamos de um Defesa-Direito titular (não costumo falar de 'cenouras' mas o jovem Alemão noticiado nos últimos dias, era uma excelente adição); e de um Guarda-redes para lutar pela titularidade (já temos jovens promissores, precisamos de um atleta com garantias...).
Estas duas contratações são obrigatórias, a questão do Central é mais discutível: hoje, e na Quinta-feira, o Jardel já jogou melhor, notou-se o 'salto qualitativo' em relação à Suíça, mas temos que ter uma 3.ª opção do mesmo nível que os dois supostos titulares (Luisão/Jardel). Se a equipa técnica pensa que o Rúben Dias e o Kalaica dão essas garantias, então chega, mas não sei... O Lisandro marca golos, mas defensivamente (e é isso que se pede a um Central) não me dá garantias... e hoje viu-se!!! Além disso tem 'mercado'...

Os próximos jogos de preparação serão em Londres na Emirates Cup, o grau de dificuldade vai aumentar, mas vamos ter finalmente todo o plantel disponível (Pizzi, Jiménez já chegaram... e a tripla Salvio/Krovinovic/Grimaldo está quase!). Hoje, por exemplo foi notório a diferença de intensidade entre os jogadores que chegaram mais cedo, com os que só chegaram esta semana... creio que em Londres tudo vai estar mais equilibrado!
A ausência do André Almeida dos jogos no Algarve, também 'insinua' algum problema físico, aliás foi notória as dificuldades do André quando foi substituído na Suíça...


PS1: Nos Europeus de sub-20 a Final dos 100m barreiras, não correu nada bem à Marisa Vaz de Carvalho. Tal como o ano passado na Final dos Europeus de sub-18, a Marisa voltou a ficar bastante a baixo dos seus melhores tempos na Final... Algo a tomar em conta para a evolução...
13.60 e o 6.º lugar acaba por ser uma desilusão...!!!
O Pedro Pinheiro não ultrapassou as qualificações do Triplo-Salto, com 15.23m e o 14.º lugar. Na mesma prova o Júlio Almeida, fez 14.52m que lhe deu o 26.º lugar.

PS2: Destaque ainda para o regresso da Telma Monteiro, praticamente um ano após a Medalha Olímpica, depois de uma 'longa' lesão. E logo com uma vitória no Open Europeu de Minsk!

sábado, 22 de julho de 2017

Da frontalidade

"Octávio Machado foi, revelou-o Bruno de Carvalho, a terceira escolha quando, no início de 2015/16, foi convidado pelo Sporting para director geral do futebol. Para os mais atentos não terá sido novidade - basta ler as notícias dessa altura -, mas a confirmação desse facto foi a forma encontrada pelo presidente leonino para atingir o agora ex-funcionário onde todos sabem que lhe dói mais: no orgulho.
Diz Bruno de Carvalho que a única coisa que não lhe agradece é a entrevista concedida numa altura inconveniente para os interesses do Sporting. Admite-se, até que Bruno de Carvalho se tenha sentido magoado. Mas não terá ficado, de certeza, surpreendido. Porque foi Octávio Machado a ser ele próprio. E foi por Octávio Machado ser como é, e sempre foi, que o Sporting decidiu convidá-lo numa altura em que a Bruno de Carvalho - e talvez a Jesus - pareceu ser importante contar na estrutura com alguém com o seu perfil: beligerante, sem medo do confronto, disposto a dar o peito às balas sem receio das consequências - mesmo que já então talvez desactualizado quanto às necessidades do futebol moderno. Não estaria agora, por certo, à espera que Octávio saísse (ou fosse empurrado) de forma pacífica. Esperou umas semanas e desabafou. Como se sabia que faria.
Quanto à frontalidade - ou à falta dela - de Octávio Machado, acusado por Bruno de Carvalho de ter demitido por carta e sem com ele falar cara a cara: muito antes do final da época já se sabia que Octávio era visto em Alvalade como estando a mais. Ele percebeu-o sem que alguém lho tivesse dito na cara. E decidiu sair pelo seu próprio pé e de maneira que sempre o caracterizou: sem medo da guerra, não admitindo ser o bode expiatório do insucesso desportivo. Surpresa?
Só para quem não o conhece."

Ricardo Quaresma, in A Bola

PS: O mais 'estranho' ou nem por isso, é numa análise a este 'duelo de palavras', o colunista não ter percebido, que a 1.ª entrevista do Octávio foi completamente inócua, falando muito sobre nada, e não acusando ninguém directamente... se não tivesse existido a 'resposta' do Babalu, tudo teria sido esquecido rapidamente...!!!

Substituição no defeso: sai Cristiano Ronaldo, entra Frederico Morais

"Hoje é o dia seguinte. Terminou ontem a 6.a etapa do circuito mundial de surf, que se realizou em Jeffreys Bay, na África do Sul. Frederico Morais, 25 anos, Cascais, foi brilhante.
Andemos um verão para trás, mais propriamente para os acontecimentos do Euro 2016 de Futebol. Portugal teve uma campanha pautada por timidez na fase de grupos, dando lugar a capacidade de lutar, criatividade e determinação rumo à vitória final. A telenovela desportiva tinha, na altura, uma personagem principal: Cristiano Ronaldo, o maior desportista português dos tempos recentes.
Julho 2017. Cristiano está de férias e não participa na história contada do dia-a-dia. Toda a gente está farta da especulação do afamado mercado de transferências e outras notícias não preenchem a agenda desportiva. Até que o jovem surfista português entra em acção.
Curiosamente, disse a alguns amigos em privado que a entrada de Morais em prova tinha muitas semelhanças com o Euro 2016. Foi passando as suas baterias com mestria, mas a expectativa que lhe confiava deixava aquela certeza de que estava um furo abaixo das suas reais capacidades. Chegamos à 4.a ronda e Frederico defronta o campeão mundial em título, o havaiano John John Florence, e o campeão desta prova em 2016 (ele também ex-campeão mundial), o australiano Mick Fanning. Ajustou o que teve de ajustar. Comportou-se exactamente como ele próprio trabalhou para surfar uma das melhores ondas do mundo, a qual não permite menos que performances desportivas excepcionais. Resultado final: 19.07 num total de 20 pontos e os dois campeões relegados para o round de repescagem.
Um dia mais tarde, entramos naquele que foi considerado o “wildest day” dos tempos recentes do surf profissional. Um tubarão branco empurra quatro surfistas para dentro do barco de apoio. Três campeões do mundo (Florence, Fanning e o brasileiro Gabriel Medina) e Frederico. É uma imagem que vai perdurar no tempo não pela via do encontro improvável, mas antes porque cenas dos próximos capítulos iriam ser escritas logo de seguida, antevendo um futuro sólido para o português. 
Começava então a bateria dos quartos-de-final onde Morais voltava a defrontar Florence. Em regime de “mata mata”, o prodígio havaiano apresentou-se ao mais alto nível, deixando o português à procura da pontuação quase perfeita no último terço da bateria – um teste perfeito à tenacidade de Morais. À semelhança do primeiro penálti de Cristiano que desfez o empate frente à Polónia, Frederico foi brilhante e termina com a onda perfeita (10 pontos) rumo às meias-finais, com uma pontuação de 19.77 em 20 pontos. A onda da decisão foi feita nos segundos finais, nivelando com normalidade o sofrimento que todos nós estamos habituados a vivenciar. Foi a segunda vez que um português atingiu a perfeição no topo do surf mundial, depois de Tiago Pires em 2008, no Taiti. Alguns ficaram de lágrimas nos olhos, outros gritaram de felicidade e muitos bateram palmas. A personagem principal deste dia passou a ser Frederico Morais, com abertura de jornais de TV e rádio, capas na imprensa escrita, ilimitadas conversas de WhatsApp e inúmeras reacções nas redes sociais. É o arrastar de multidões e o conquistar dos portugueses!
Em Portugal, temos por norma começar a celebrar cedo, com ovações de vitória quando a competição ainda vai a meio. É o nosso espírito latino caracteristicamente quente nas emoções. Mas Frederico nem quer saber. Ainda em fase de digestão do momento, indica que se “foi histórico, ainda melhor”, mas que “agora é focar e querer sempre mais”. É a sabedoria popular que diz que não há duas sem três. Depois de o capítulo i ditar o “melhor heat da minha vida” nas palavras de Frederico, o seguinte foi de superação com o “melhor depois do melhor”, chegando o terceiro, ou o dia das finais, se preferirem. Pela frente, outra vez um ex-campeão do mundo, o brasileiro Gabriel Medina, mas o resultado foi pronunciado pelos comentadores internacionais, apelidando Morais de “man o war” (caravela portuguesa) em jeito de ilustração do espírito letal e autoritário com que conquista o seu lugar na final.
Perceba-se a importância do que acabara de acontecer. Frederico está no seu primeiro ano na elite do surf mundial e já contava com um 5.o lugar em Bells Beach, uma das ondas mais icónicas do mundo. Na que foi considerada a melhor etapa do ano até ao momento, e certamente uma das melhores de sempre, dado o impressionante nível de surf que se viu nas ondas de Jeffreys Bay, Morais inscreve-se definitivamente nos livros dos melhores dos melhores, terminando num excelente 2.o lugar frente ao brasileiro Filipe Toledo e arrecadando 8000 pontos para consolidar a sua nova 12.a colocação no ranking mundial. Acima de tudo, posiciona-se para o ataque ao restrito grupo do top-10 mundial, segura garantidamente a sua qualificação para 2018 e fica debaixo de olho para a prestigiante distinção de “rookie of the year” (melhor estreante do circuito mundial). Quando Toledo se dirigiu a ele em palavras durante a entrega de prémios, Frederico, sempre nobre e com a bandeira portuguesa enrolada nas pernas, olhou-o firme e de frente, num misto de raça vencedora e humildade perante o momento de reconhecimento da sua grandeza no clube dos enormes do surf mundial.
Foi a melhor prestação de sempre de um português no World Championship Tour. Dos expatriados espalhados pelo mundo aos portugueses em solo nacional, todos em uníssono aclamam como forma de retribuição de tamanha honra para o país das cinco quinas: Obrigado, Kikas. És um herói nacional!"

Francisco Simões Rodrigues, in i

PS: Alguns podem perguntar: qual a ligação com o Benfica?!
Pois, o heróis desta crónica (e da anterior) é Benfiquista, e neste momento é o 12.º do ranking Mundial!!!

Kikas ganhou à Alemanha de 74, passeou frente ao tiki-taka espanhol, dizimou a Holanda de Cruyff e só perdeu na final com o Brasil de 2002


"Fará em Outubro 21 anos desde que um surfista português venceu pela primeira vez um heat do campeonato do mundo de surf, e logo na primeira etapa alguma vez realizada em Portugal. Antes chamava-se World Championship Tour, mas a lógica já se aplicava: os melhores atletas do mundo competiam nas melhores ondas e o Kelly Slater ganhava que se fartava. Bom, foi mais ou menos isso. O mar naquele dia no Cabedelo não estava propriamente épico, nem isso interessou para nada. A primeira vitória de um português tem um nome: Bruno Charneca, Bubas para os amigos, para os rivais e para os adolescentes como eu que devoravam a SURF Portugal e a Surf Magazine, ou viam o Portugal Radical e sonhavam com a Rita Seguro. Se estiveres a ler, Rita, olha, muááá.
A vitória do Bubas não foi coisa pouca. O local da Caparica eliminou nem mais nem menos que Kelly Slater. Não era este Kelly Slater quarentão cheio de travadinhas (um génio ainda assim). Era um Kelly Slater que nessa temporada ganhou 7 das 14 etapas disputadas e conquistou o quarto título mundial da sua carreira e o terceiro consecutivo, lançadíssimo para ultrapassar o tetracampeonato de Mark Richards. Fez o penta duas épocas depois e ganhou o sexto título da carreira. Talvez não tenha sido esse Kelly Slater sedento de vitórias que naquele dia competiu no Cabedelo, uma vez que se sagrara campeão mundial antes da prova arrancar devido à ausência de Shane Beschen.
Não sei se foi esse o motivo da falta de comparência do Slater na primeira ronda da prova - estava no papo - ou se perdeu mesmo os aviões, mas o facto é que o melhor surfista de todos os tempos começou a prova na segunda ronda. Entrou na água, surfou de forma desinteressada e fez o dia ao Bubas e ao surf português. Chamam-lhe ronda de repescagens ou dos perdedores (losers round), o que é precisamente o que estou a fazer e/ou sou. Sou só um espectador anónimo do surf português, confortavelmente à espera do set na ronda dos perdedores. Uma pessoa aprende a viver com essa inaptidão e às tantas já se dá por satisfeita se molhar o rosto com água salgada na companhia dos amigos. Mas dizia, hoje repesco pelo melhor dos motivos. Hoje fez-se história. O Frederico Morais, Kikas para os amigos e para os adultos como eu que têm saudades da SURF Portugal e da Surf Magazine, o Frederico Morais quase ganhou.
O tanas. O Frederico Morais foi à final em J-Bay! Aviou três campeões mundiais pelo caminho! Surfou que se desunhou! Conquistou o mundo inteiro com a linha de surf mais elegante e entusiasmante de toda a prova, John John, Jordy ou Toledo incluídos. Há muitos anos que os surfistas da bancada gerem as suas vidas pessoais e profissionais de acordo com o fuso horário em que decorrem as etapas do Mundial de Surf, e hoje não foi excepção. Acordei ligeiramente atrasado para as meias-finais e já o Kikas encostava o Gabriel Medina às cordas. 24 horas antes tinha feito o mesmo com o John Johh Florence nos quartos de final, pela segunda vez em dois dias. Nas últimas horas, vi amigos e conhecidos comparar este feito à vitória portuguesa no Euro, o que é compreensível. Mas permitam-me a correcção: nós fomos campeões europeus de futebol depois de jogar contra Hungria, Islândia, Polónia, Croácia e País de Gales e finalmente a França. O feito do Kikas é de facto menor em termos absolutos, mas muito maior na cabeça do adepto de surf. O Kikas ganhou duas vezes à Alemanha de 74, passeou frente ao tiki-taka espanhol, dizimou a Holanda do Cruyff e só perdeu na final com o Brasil de 2002.
O que é que tudo isto tem a ver com o Bubas? Simples. Na cabeça de um adepto de surf que há mais de 20 anos anseia por vitórias portuguesas numa modalidade para a qual nascemos poeticamente destinados, isto é algo que há muito merecíamos. Não por um atleta, mas por todos os atletas e todas as praias. O Bubas mereceu limpar o sarampo ao Slater porque estava a surfar em casa e a minoria de adeptos pediam essa vitória, mas mereceu ainda mais pela beleza e benção de ter nascido português, numa terra que os melhores poetas descreveram quase sempre virados para o mar. Quem diz o Bubas diz o Dapin, o João Antunes, o Rodrigo Herédia, o Marcos Anastácio, o José Gregório ou o Ruben Gonzales que foram espoliados de inúmeras vitórias no EPSA ou em qualquer etapa do WQS. Eu sei lá. Ainda me lembro de comparar o Miguel Fortes ao Tom Curren. Estes tipos que eu não conheço de lado nenhum e me propinaram bastantes vezes foram o meu clube, como são hoje o Kikas ou o Vasco Ribeiro de licra vestida, o Nicolau von Rupp ou o Hugo Vau quando surfam heats contra ondas mutantes na Irlanda ou na Nazaré, ou o Miguel Blanco e o João Kopke quando estão simplesmente a viver vidas mais interessantes do que a minha, quase sempre dentro de água. Se um adulto com dois filhos diz isto de pessoas mais novas do que ele, imaginem um miúdo que começou a surfar há 6 meses. Só quem já esteve dentro de água sabe o quão inspirador ou intimidante é ver esta gente no line-up.
Este adepto sabe que as coisas em competição têm uma explicação quase sempre lógica, mas não sabe se está assim tão interessado nisso. Certo, existiram factores estruturais que impediam a primeira geração de surfistas de competição de vingar lá fora, talvez os primeiros não fossem animais de competição como hoje vemos surgir, e sim, hoje os miúdos estão mais bem artilhados para os 30 minutos de um heat, bem como para as agruras e deslumbramentos de uma vida passada a viajar e a competir. Mas talvez, aliás, quase de certeza que nada disto seria exactamente assim se em 2000 um miúdo chamado Tiago Pires não se tivesse sagrado vice-campeão mundial júnior no Guincho, isto numa altura em que os tais factores estruturais ainda pareciam uma barreira insuperável. O tanas, disse ele com uma gana e talento só superados pelo Dean Morrison. Quis o destino que nesse dia ficássemos novamente em segundo lugar, e mais uma vez ganhámos. Demos uma abada à aparente sina do surf português. Afinal não era impossível. O Tiago Pires continuou a sua carreira brilhante ao longo dos 16 anos seguintes, com uma vitória inesquecível em Ribeira d’Ilhas em 2005 que o deixou à porta do World Tour. Dois anos depois qualificou-se para a primeira divisão do surf mundial e por lá ficou, fruto de talento e trabalho, durante oito anos em que as madrugadas a olhar para um ecrã se tornaram ainda mais interessantes, algumas quase comoventes, porque finalmente tínhamos lá um português. Os anos foram passando e o Tiago tornou-se um surfista como nenhum outro no panorama competitivo português. Hoje, depois dele e de sei lá quantos resultados notáveis dos que vieram a seguir, as coisas alinharam-se de tal forma que o resultado do Kikas, ainda que possa surpreender alguns, não é mais do que o corolário natural do trabalho de quem nasceu num país abençoado. Que ninguém celebre menos à medida que os portugueses forem conquistando vitórias num desporto para o qual nasceram.
Entretanto, fui ver o que é feito do Bubas. Encontrei-o no LinkedIn. Tem trabalhado na área da informática. Não sei quantos de vocês se lembram, mas o Bubas tinha um dos cutbacks mais bonitos do surf português. Os dois empregos mais recentes que teve tinham escritório no Havai e em Santa Bárbara, na Califórnia. Talvez a profissão e a vida o tenham afastado um pouco mais do surf, mas os melhores surfistas são os que procuram obsessivamente uma forma de permanecerem próximos do mar. São peixes que aguentam umas horas fora de água. Quanto a mim, adepto na ronda das repescagend, já lá vai o sonho de um verão sem fim. Esse morreu, mas não me esqueço dos verões ou invernos passados junto ao mar. De cada vez que o Kikas surfar, esperarei o impossível: que regressemos todos ao verão para buscar os instantes que ainda não vivemos junto do mar. Nós e o surf português."


Benfiquismo (DXXXVII)

Bandeiras...

Uma Semana do Melhor... no feminino!

A bazófia gera ilusões de poder

"A notícia da renovação do contrato de Eliseu caiu bem entre os benfiquistas. A somar aos atributos do futebolista há a memória fresca da lambreta da festa de Maio que deu a volta ao mundo pela criatividade e perícia postas na celebração. Sendo uma iniciativa individual logo passou a paixão colectiva tal foi o sucesso da iniciativa motorizada do jogador.
Apesar das garantias prestadas pelo treinador do FC Porto sobre a inevitabilidade de o próximo título ir parar ao Dragão e apesar das garantias prestadas pelo presidente do Sporting sobre a inevitabilidade de o mesmo título ir parar a Alvalade e reconhecendo, facilmente, os benfiquistas que o caminho a percorrer em 2017/2018 será árduo, ninguém poderá levar a mal o facto de haver uns quantos milhões em Portugal que se deitam sonhadoramente a adivinhar como poderá Eliseu surpreender-nos no próximo mês de Maio dando-se o caso de, contra todas as promessas de sucessos alheios, o título for parar à Luz pelo quinto ano consecutivo. Mas não foi por isso, certamente, que o Benfica prolongou por mais uma temporada o vínculo com o seu sempre disponível lateral-esquerdo. Acelera, Eliseu. 
Famoso há décadas pela sua frase-mistério-insondável "vocês sabem do que estou a falar", Octávio Machado foi surpreendentemente pródigo em pormenores e em destinatários para os recados que entendeu dar na sua entrevista à CMTV. A análise das questões que se prendem com a vida da equipa de futebol do Sporting e com a vida da equipa de dirigentes do Sporting, por questão de bom senso, deve ser deixada a cargo dos comentadores, dos jornalistas e dos adeptos afectos ao clube de Alvalade.
Octávio levantou, no entanto, uma questão que tem a ver com a chamada "comunicação social" e que não deixa de ser intrigante para quem – por hobby ou por resquícios do velho ofício – se interessa pela evolução das artes da informação e do jornalismo em Portugal. Afirmou, perentoriamente, o ex-director do futebol do Sporting que, no decurso do seu moroso processo de abandono das funções, lhe foi oferecido por um responsável do clube a hipótese de escolher qual o programa de televisão em que mais gostaria de actuar integrando um dos variados painéis de comentadores de coisas da bola. Ora isto não faz sentido. Não faz sentido e é ofensivo da reputação de estações como a TVI e a CMTV serem os clubes – o Sporting, neste caso – a usar um poder que lhes permitiria impor os seus comentadores e até a retirá-los de cena como se de um mero presidente da Liga se tratassem.
Não será de duvidar da palavra de Octávio. É provável que a proposta de escolher uma estação de televisão lhe tenha sido feita. Mas é de duvidar – e muito – da suposta autoridade para o efeito do "programador" que lhe fez a proposta. A bazófia gera ilusões de poder. Só pode ter sido isso."

Seferovic é o reforço da pré-temporada

"A pré-época serve para colocar a nu debilidades e necessidades a tempo de as colmatar. É assim em estruturas competentes e capazes.

O Benfica venceu (2-1) ontem o Bétis depois de ter sido goleado (1-5) na Suíça pelo Young Boys. Tenho discutido com amigos, muito deles benfiquistas, sobre o que é uma boa pré-época. O que queremos, enquanto adeptos de um clube, da pré-temporada da nossa equipa?
Já aprendi, por experiência própria, que queremos coisas diferentes. Para mim uma boa pré-época foi a que Jorge Jesus fez no Benfica e culminou com duas derrotas (Arsenal e Valência) e uma goleada na Emirates Cup, depois de vários encontros com insucessos desportivos. Foi a consciência da realidade que permitiu que ainda nesse Agosto, Luís Filipe Vieira fosse buscar quatro soluções, entre as quais estava, por exemplo, Jonas. Resultado: Benfica campeão. E foi a competência de saber escolher soluções que permitiu que o tetra seja uma realidade.
Uma pré-época onde se somam vitórias sobre equipas de baixo valor competitivo anima os adeptos, mas esconde a realidade de um desastre anunciado. A pré-época serve para colocar a nu debilidades e necessidades a tempo de as colmatar. É assim em estruturas competentes e capazes.
O pior da pré-época é ver jogadores banais em bom plano. Vendem jornais, ludibriam a realidade e sobem a expectativas dos adeptos. Porém, os dirigentes experimentados sabem ler a realidade e melhorar o futuro.
Ontem, a vitória no Algarve foi mais um passo para se construir o caminho, corrigindo o que é preciso e melhorando nos processos de quem fará o nosso futuro. Seferovic parece não ter sido apenas um reforço, mas sim o reforço desta pré-temporada encarnada.
Vamos começar a época com uma Supertaça e jogos difíceis no campeonato. É aí que temos que chegar em bom nível, são esses os jogos que temos que vencer. Quero chegar a 5 de Agosto e retomar a conquista de títulos.
Os adversários também ganham pouco, ou quase nada nesta pré-época, mas vão chegar preparados ao início das provas oficiais. Respeitá-los é a melhor forma de os poder derrotar. Amanhã, contra o Hull City, vamos, essencialmente, preparar a partida frente ao V. Guimarães. Serenidade e confiança, mas atenção e competência rumo ao 37."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vai Marisa...

Começou ontem em Grosseto, Itália, o Campeonato da Europa sub-20 de Atletismo (Juniores).
Como não podia deixar de ser a grande 'esperança' Benfiquista, é a Marisa Vaz de Carvalho, que hoje não desiludiu, qualificando-se com alguma facilidade para a Final nos 100m barreiras, passando as eliminatórias (13.78s) e a meia-final (13.51s) sem tremer... Fez o 2.º tempo nas Meias-finais, a inglesa é claramente favorita, mas nas barreiras tudo é possível, basta um toque mal dado, e muda tudo...

Ontem o João Esteves, nos 100m, ficou em 16.º nas meias-finais dos 100m com 10,78s... tinha feito, 10,82s nas eliminatórias.

O Diogo Guerra nos 110m bar. não conseguiu ultrapassar as eliminatórias, com 14.95s.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Nós, o dinheiro dos outros e o futuro...

"Continua a pré-época, as equipas vão surgindo mais afinadas e paradoxalmente, dos três grandes, quem parece mais disposto a evoluir na continuidade é o FC Porto, afinal o único que mudou de treinador. Mas até ao fim de Agosto e ao fecho do mercado será importante tirar conclusões absolutas de plantéis relativos.
Deixando um pouco de lado a árvore portuguesa e olhando para a floresta europeia, conclui-se: há bolsos mais fundos do que nunca, movimentam-se no mercado clubes que podem gastar 400 ou 500 milhões sem desequilibrarem a tesouraria e o fosso entre os ricos e os outros é cada vez maior.
O fair-play financeiro é travão apenas para os remediados do pelotão e com a entrada em campo de novos players (primeiro russos e norte-americanos, depois árabes e finalmente asiáticos, especialmente chineses) as regras alteram-se, criando dificuldades acrescidas aos clubes nacionais. Não será fácil, nos anos que se seguem. Portugal recuperar a posição perdida no ranking da UEFA. Este quadro remete-nos para uma pergunta obrigatória: por quanto mais tempo estarão fechados os capitais de Benfica, Sporting e FC Porto aos investidores estrangeiros?

PS1 - Bruno de Carvalho reagiu no seu estilo de elefante em loja de porcelana à entrevista de Octávio Machado à CMTV. No ar fica a ideia de estarmos perante o início de uma querela entre o presidente dos leões e o ex-director para o futebol, que não é de levar desaforo para casa. Quem sairá vencedor desse confronto, não sei. A perder, é fácil: o Sporting.

PS2 - Onde terão ido parar os acórdãos do CJ de 2014/15? E porquê?"

José Manuel Delgado, in A Bola

O respeito!

"A regra de ouro no desporto, em minha opinião como é óbvio, é o respeito que temos pelos adversários e dessa forma por nós próprios. No desporto, qualquer que seja a modalidade, temos oponentes de que gostamos mais ou menos, mas nunca inimigos. Valorizamos mais uns do que outros, reconhecemos talento ou falta dele, mas quando acaba a prova, ou o jogo, o mais importante é comemorar ou tentar perceber porque motivo não conseguimos o objectivo. Ficamos aborrecidos, por vezes revoltados, nem sempre aceitamos os erros, nossos e de terceiros, mas isso não nos dá o direito de fazemos dos adversários... inimigos! Isso é matéria que nem para os adeptos deveria ser prioritária. Infelizmente tem vindo a tornar-se comum transformar rivais em inimigos. Uma forma de sobrevivência, desportiva e até política.
Habituei-me, desde muito jovem, a ler este jornal. A Bola tinha um formato maior, era trissemanário, e não havia edição que não fosse recebida com satisfação. Não tínhamos televisão ou internet. As notícias desportivas eram recebidas pela rádio ou pela imprensa escrita. O mesmo jornal era lido por vários leitores. Depois discutia-se, discordava-se, mas no fim acabava tudo como no início. Amigos como sempre, e lá íamos jogar. Pouco importava a cor clubística de Vítor Santos, de Homero Serpa ou de Carlos Pinhão.
Vem isso a propósito do clima que dirigentes e comentadores têm criado em redor dos clubes de futebol, com destaque para os de maior dimensão. Quando leio em tom jocoso que o Sporting empatou 0-3 e o Benfica levou 5 no dia seguinte, como forma primária de afirmação perante os adeptos, recordo-me desses tempos antigos em que lia A Bola mesmo sem a conseguir comprar. Esgotava. Não sou propriamente um saudosista militante, mas assim estamos a regredir. Com este comportamento, as elites, ou pseudo-elites, apenas transformam a rivalidade desportiva num combate entre inimigos. Deviam corar de vergonha. É lamentável!"

José Couceiro, in A Bola

PS: Três notas:
- as palavras do Sílvio Cervan (o Sporting empatou 0-3) foram escritas num contexto, onde o alvo da critica, não era a instituição SCP, mas sim a forma como os maus resultados do Sporting são analisados e 'amparados' pela comunicação social desportiva...
- em tese, todos nós concordamos com este artigo, só tenho pena que José Couceiro não tenha tido a coragem de referir o nome do dirigente que tem contribuído mais do que qualquer outro, para o actual clima...
- já agora, será que agora a Direcção d'A Bola já permite que o colunista, critique outro colunista?!!!

Esconde a rosa dentro do coldre

"O título da coluna até pode ser meio estranho mas não é mais do que uma parte do refrão de uma das últimas músicas do magistral Miguel Araújo.
Axl Rose é o nome da canção que, no fundo, rememoria algumas das figuras, dos pensamentos, das desilusões e dos desenganos de adolescência da minha geração, quando todos andávamos com as rosas escondidas dentro do coldre, mas caiu um bocadinho na realidade quando viu um dos seus deuses, precisamente Axl Rose, estatelado no palco montado no Estádio José Alvalade em 1992.
Fazendo a transposição para o estado actual do futebol português, as rosas há muito que não saem dos coldres. As armas são as palavras em forma de acusações, insultos e incentivos ao ódio de quem não professa a fé do acusador e são cada vez mais os clubes que pagam, encapotadamente, a páginas com títulos pomposos mas de autores anónimos para passarem mensagens que têm vergonha de assumir em termos oficiais.
O futebol jogado dentro das quatro linhas, esse, vai sobrevivendo dentro das possibilidades de um país com nativos com especial apetência técnica - numa boa fatia - para a prática da modalidade.
Os da minha geração, com maior ou menor dificuldade, também sobreviveram à adolescência e até adultos voltámos a ouvir o Angel Dust dos Faith No More, também citado por Miguel Araújo.
As rosas terão saído definitivamente do coldre quando Kurt Cobain fez o que fez. O desejo é que no caso do futebol não seja preciso tanto dramatismo para se desanuviar o clima."

Hugo Forte, in A Bola

Apito desavergonhado

"Eles bem podem andar de artifício jurídico em artifício jurídico, que o conteúdo das escutas ao processo 'Apito Dourado' permanecerá inalterado. Eles bem podem utilizar excertos de e-mails, obtidos sabe-se lá como, e deturpá-los a seu bel-prazer, que nunca conseguirão fazer esquecer o que se passou no futebol português ao longo de décadas e muito menos poderão alguma vez criar a ideia de que os seus esquemas são agora utilizados por outros.
Chega até a ser cómico, sem ter graça alguma, vê-los a acusarem outros de usarem os seus esquemas que, de artifício jurídico em artifício jurídico, afinal nunca foram os seus.
Passados anos, resta apenas um castigado: as empresas de telecomunicações. Nem consigo imaginar os seus prejuízos por aquele gente, aquele gente desavergonhada, despudorada e vigarista, ter restringido o teor das suas chamadas telefónicas. E, já agora, o que pensar sobre a inexistência de qualquer reacção dos patetas alegres? Ai, ai, pobres de espírito... Tanto lhes faz quem ganhará, desde que não seja o Benfica...
Entretanto a vida prossegue e lá continuamos a trabalhar norteados pelo desejo do penta. Não gosto de ver o Benfica perder nem a feijões, e muito menos de o ver goleado, mas o pessimismo desmesurado que detectei em alguns benfiquistas após a derrota frente ao Young Boys parece-me absurdo. E mais ainda atribuir às vendas de Ederson, Lindelof, e Nélson Semedo o estatuto de principal causa da derrocada da nossa equipa no passado sábado. A exibição da nossa equipa esteve longe de ser brilhante, mas enquanto houve pernas também não preocupou. E o mais relevante é que não teria nada que preocupar ou entusiasmar... é pré-época!"

João Tomaz, in O Benfica

Delírios de verão

"Quem aterrar em Portugal e quiser espreitar a realidade do futebol português, escolhendo Julho e Agosto para saber mais sobre o assunto, vai ficar surpreendido. Nestes dois meses, abrindo as páginas dos principais jornais desportivos (e até dos generalistas) - em papel ou na internet - ficamos a saber que há duas equipas fora de série, com contratações maravilhosas de nomes recheados de adjectivos e predicados, planeamentos acima de qualquer suspeita, opções técnicas brilhantes em jogos a feijões e operações financeiras e de charme que deixam roídos de inveja os melhores clubes da Europa e do mundo... Sonham eles... Nestes dias, não faltam elogios e promessas de uma época conquistadora para as duas equipas que ficaram em segundo e terceiro lugar do campeonato nacional de 2016/17. As capas dos jornais e as páginas em destaque nos sites desportivos, bem como os temas em debate nos infindáveis programas televisivos sobre futebol, são dedicadas a esses monstros do futebol da Via Láctea. Risos.
Um não ganha uma taça há quatro anos e continua a sonhar com os anos dourados do apito. O outro não faz parte sequer dos três representantes portugueses nos rankings europeus, além de que, na última vez em que foi campeão, o papa era João Paulo II, Shaquille O'Neal ainda jogava na NBA, e Mike Tyson ainda combatia.
Todos os anos, a história repete-se. Passam o verão a tentar puxá-los para cima, mas na hora da verdade as bailarinas não sabem dançar e metem as culpas no chão, que está torto. Continuem assim.
O tetracampeão está a trabalhar. Não incomodem, por favor."

Ricardo Santos, in O Benfica

Ferramentas de trabalho

"Recordemos alguns dos resultados das últimas quatro pré-temporadas.
Em 2013 o Benfica perdeu a Eusébio Cup em casa perante os brasileiros do São Paulo por 0-2, e depois foi perder a Nápoles por 1-3.
No ano seguinte perdeu a Taça de Honra com o Sporting (0-1), voltou a perder a Eusébio Cup, desta vez com o Ajax (0-1), perdeu com o Marselha (1-2) e com o Atlético de Bilbau (0-2), e na Emirates Cup foi goleado por Valência (1-3) e Arsenal (1-5).
Em 2015 o Benfica saldou os jogos de pré-época com 2 empates e 3 derrotas. A última das quais novamente na Eusébio Cup, por 0-3 com o Monterrey.
Há um ano atrás, mais uma derrota na Eusébio Cup (Torino, nos penáltis), seguida de desaires Sheffield (contra adversário da segunda divisão inglesa) e frente ao Lyon.
Sabemos como terminaram todas estas temporadas: no Marquês de Pombal.
Serve isto para dizer que os resultados de Julho, antes de as competições a sério terem início, com plantéis ainda em formação, com jogadores internacionais ausentes, com 8 ou 9 substituições, por jogo, nada significam relativamente ao que depois se passa em Maio. Estas partidas não meras ferramentas de trabalho, e até são mais úteis quando expõem aspectos a ser melhorados nos jogos a doer.
A pesada derrota com os suíços do Young Boys (equipa em fase muito mais adiantada da preparação, com o seu campeonato a começar mais cedo, e na disputada das pré-eliminatórias da Champions League) insere-se nesse processo, e não belisca minimamente a confiança que todos temos em mais um ano de grande sucesso.
O trabalho continua. Os resultados? Só interessam a partir do dia 5 de Agosto."

Luís Fialho, in O Benfica